Para que servem as incubadoras de startups?
por Miguel Magalhães (Texto) | 19 de Outubro, 2026
Portugal tem mais de 150 incubadoras, 5 mil startups e uma ambição declarada: duplicar o número de unicórnios na próxima década. Em Ponte de Lima, a Startup Portugal reuniu as incubadoras do país no IncubX para lhes dizer que, para lá chegar, a conversa tem de dar lugar à ação.
Na maior parte dos ecossistemas de inovação, são elas que permitem aos negócios dar os primeiros passos e criar valor nas diferentes regiões. Depois de celebrar 10 anos, a Startup Portugal, entidade que gere a Rede Nacional de Incubadoras, coloca-as no centro da sua estratégia para o futuro.
O IncubX é o encontro anual de todas as incubadoras portuguesas, que são hoje mais de 150 e vêem o seu trabalho reconhecido todos os anos. Este ano decorreu em Ponte de Lima, com o objetivo de promover a troca de experiências e ajudar quem está a entrar agora a perceber o que tem de fazer e como. Para Miguel Aguiar, o espírito é de cooperação: “não é uma concorrência, é um tema de colaboração e quanto mais colaboração houver, maior o ecossistema ganha e ganhamos todos.”
A edição foi pensada para “pôr as mãos na massa”, conta Sara Seabra Diniz, project manager da Startup Portugal. A ideia foi trabalhar com as incubadoras, e não apenas falar para elas. “Nós próprios também queremos fazer parte da solução”, afirma, lembrando que a Startup Portugal está “num lugar se calhar privilegiado”, próxima do Governo.
Os números de uma década
Para Miguel Aguiar, os 10 anos da Startup Portugal são um marco, e coincidem com outro: a Lei das Startups, de 2023, que definiu “pela primeira vez na Europa o que é que é uma Startup”. No ano passado, o país chegou às 5 mil startups.
Com dados ainda de 2025, o retrato do setor é este:
- 5 mil startups;
- 28 mil colaboradores;
- salários 81% acima do resto da economia;
- 1% do PIB;
- 1,5% das exportações.
Está em curso um novo estudo sobre o estado do empreendedorismo em Portugal, que será lançado no âmbito do Web Summit.
Os desafios: financiamento, território e inteligência artificial
Os painéis do IncubX trataram temas como a internacionalização e a cooperação, mas o desafio mais transversal continua a ser o financiamento. Sara Seabra Diniz diz que a Startup Portugal já tem trabalhado em mecanismos para apoiar as incubadoras neste ponto.
Há também a dimensão territorial. Portugal é pequeno, mas tem “muitas disparidades”, do litoral para o interior e das grandes cidades para as mais pequenas. Algumas incubadoras estão mais voltadas para startups tecnológicas e de deep tech, outras apoiam negócios e empreendedores locais, e ambas as vocações contam para o emprego e para a economia. Para garantir um selo de qualidade, a Startup Portugal mantém um processo de acreditação.
A inteligência artificial traz uma mudança de paradigma. Com tantas soluções a surgir e a ter de se adaptar, as incubadoras terão de ajustar o seu apoio para se manterem competitivas. A lógica não muda: “o objetivo da incubadora, no final do dia, é apoiar o empreendedor no dia-a-dia”, e por isso “os desafios do empreendedor são os desafios também da incubadora.”
Ponte de Lima como polo de inovação
Paulo Sousa, vice-presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, apresentou as áreas estratégicas do concelho anfitrião. Uma é a indústria automóvel, com uma empresa que tem em Ponte de Lima um centro de conhecimento que serve operações em vários países. Outra é a agroalimentar: foi aprovada uma candidatura para criar um polo de investigação junto da Escola Superior Agrária, na freguesia de Refóios do Lima.
O objetivo é conhecer e valorizar os recursos endógenos e, se possível, reintroduzi-los na produção agrícola, dando suporte ao setor da restauração, que é forte no concelho. Segundo o autarca, isso significa valorizar o setor primário, cuidar da paisagem, gerar mais economia e emprego, e inovar nas boas práticas agrícolas e culinárias, “essenciais para a melhoria e para o aumento da qualidade de vida das nossas populações”.
A meta para 2036
Para os próximos 10 anos, Miguel Aguiar fala de uma ambição “muito grande”, com objetivos “bastante lá em cima”: “pelo menos duplicar o número de unicórnios em Portugal”. Já foram criados oito, mas hoje há sete. A meta é chegar a pelo menos 16 em 2036 e a que o setor responda por 5% do PIB, com todos a trabalhar “para um bem comum”.
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