Aos 19 anos, criou uma academia de IA gratuita com mais de mil alunos
por Gabriel Lagoa | 20 de Outubro, 2026
Francisco Torres estuda Gestão na Universidade do Minho e criou uma academia online de IA com mais de mil inscritos. Ensina a estudar com a tecnologia, não a fazer batota.
Quase quatro anos depois de o ChatGPT ter entrado na vida dos estudantes, as universidades ainda discutem se devem proibir, tolerar ou ensinar. Os alunos, em parte, já decidiram: usam a inteligência artificial todos os dias. Usá-la para aprender, porém, é outra conversa.
Foi essa diferença que Francisco Torres notou quando entrou no curso de Gestão da Universidade do Minho. Os colegas conheciam o ChatGPT, mas poucos lhe tiravam partido. Aos 19 anos, criou o AILab, uma academia online e gratuita que diz já contar com mais de 1.100 inscritos, cerca de 980 dos quais utilizadores regulares.
Não partiu do zero. Há três anos que dá formação em IA na TopBrain, empresa onde trabalha com a mãe e onde geriu a MasterIA, uma academia dirigida a profissionais.
No AILab Hub, a plataforma do projeto, há 33 aulas gravadas, assistentes GPT e uma ferramenta para criar currículos. A ideia central é transformar a IA num tutor: carregar os materiais de uma cadeira, tirar dúvidas, resolver exercícios, simular exames. O fundador resume o problema sem rodeios: “A inteligência artificial veio deixar os espertos mais espertos e os burros mais burros. Quem procura aprender e questionar tem agora ferramentas extraordinárias. Quem se limita a copiar respostas, sem compreender o que está a fazer, corre o risco de ficar ainda mais dependente da tecnologia.”
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E a batota? Francisco não promete milagres. “Não consigo controlar a utilização que cada aluno faz das ferramentas, mas posso ensinar a utilizá-las com responsabilidade e pensamento crítico. O verdadeiro desafio não é impedir os estudantes de usar IA, é garantir que saem da universidade com mais competências, e não com menos.”
A primeira sessão oficial, em janeiro, juntou 240 pessoas na UMinho, presencialmente e online. Seguiram-se a Universidade Portucalense e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e há conversas com mais quatro instituições. O resto veio sobretudo das redes sociais.
Os custos saem do bolso do fundador, que diz ter construído cedo a sua independência financeira. Para já, a meta é chegar aos 5 mil alunos dentro de um ano. Transformar o AILab numa empresa será, admite, “uma evolução natural”.