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Vouga Agency quer tirar a indústria portuguesa do Excel antes de lhe dar IA

por Gabriel Lagoa | 20 de Outubro, 2026

Dois recém-licenciados criaram no Porto a Vouga Agency. A tese: antes de pensar em IA, a indústria portuguesa tem de pôr os seus sistemas a falar entre si.

Hoje em dia, é difícil encontrar uma conferência ou um relatório que passe sem a expressão “inteligência artificial”. Mas, longe dos palcos, muitas empresas industriais portuguesas continuam a gerir a produção em Excel, as vendas num programa e o armazém noutro, sem que nenhum fale com os restantes. É nesse intervalo entre o discurso e a realidade que uma nova geração de engenheiros está a encontrar espaço.

A Vouga Agency é um desses casos. Criada no Porto por Miguel Correia e Afonso Roque, recém-licenciados em Engenharia de Sistemas pelo ISEP, a empresa já conta com seis engenheiros e trabalha com parceiros industriais que faturam mais de três milhões de euros por ano. O nome vem do rio da região onde ambos cresceram, terra de fábricas passadas de geração em geração.

A tese vai contra a corrente. “Imagine-se uma empresa onde as vendas estão num sistema, a produção é gerida em Excel e o armazém funciona noutra plataforma. Se um gestor perguntar a uma IA se consegue aceitar uma encomenda e entregá-la dentro do prazo, como pode obter uma resposta fiável se essa informação não está ligada? Antes de tornar um sistema inteligente, temos de garantir que funciona como um sistema”, explicam os fundadores. Internamente, chamam-lhe “System first”.

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O primeiro teste foi numa empresa onde as horas de trabalho, os materiais e as faturas andavam dispersos por vários ficheiros. A própria empresa estimava desvios de 7% em custos que nunca chegavam às obras. A Vouga está a desenvolver uma plataforma à medida que junta essa informação e usa IA para ler faturas, com a meta de cortar 80% do trabalho manual. “A verdadeira transformação vai além da automatização. É permitir que uma empresa deixe de descobrir quanto custou uma obra no final e passe a acompanhar os seus custos enquanto ainda pode tomar decisões.”

A IA só entra quando compensa: para enviar um aviso quando uma tarefa fica concluída, basta uma automação simples.

Os clientes foram conquistados porta a porta, muitas vezes sem reunião marcada. Os fundadores admitem que a idade levanta dúvidas, e a resposta que encontraram foi mostrar demonstrações funcionais em poucos dias. “Não chegamos à indústria para ensinar empresários com décadas de experiência a gerir os seus negócios. Chegamos para juntar aquilo que eles sabem àquilo que nós sabemos fazer e podemos oferecer.”