Na Maia, há um novo um sítio onde se aprende a programar, construir robôs e fazer podcasts
por Gabriel Lagoa | 7 de Novembro, 2025
O Centro de Inovação Carlos Fiolhais está aberto a toda a comunidade e cada pessoa escolhe o que quer aprender.
A Maia tem um novo laboratório de tecnologia, e não é mais um espaço com computadores enfileirados onde se fazem cursos formatados. O Centro de Inovação Carlos Fiolhais (CICF) é um projeto do CDI Portugal em parceria com a Câmara Municipal da Maia que aposta numa metodologia diferente: experimentar, falhar, voltar a tentar.
Aqui não há aulas no sentido tradicional. Há “universos” temáticos onde jovens dos 12 aos 18 anos, mas também professores, famílias e qualquer pessoa da comunidade, podem escolher o que querem aprender. Programação, robótica, inteligência artificial, impressão 3D, rádio, combate à desinformação. A lista é longa e cada participante monta o seu próprio percurso.
Sete universos para explorar
O centro divide-se em sete áreas. No CODE, aprende-se a programar, a usar IA e a perceber cibersegurança através de projetos como o “Criadores do Futuro”, que usa o Minecraft Education Edition, ou o “Vibe Coding”, onde se junta criatividade e lógica.
O BOT é para quem quer construir robôs, montar circuitos e participar em desafios como o AstroPi da Agência Espacial Europeia. Já no PLAY, cria-se jogos e conteúdos digitais, trabalha-se design e narrativa, e discute-se o uso responsável da internet.

Para quem prefere fazer coisas físicas, há o MAKE, dedicado à impressão 3D, corte a laser e fabricação digital, com projetos como o “3D for a Cause” e o programa internacional F1 in Schools. O GREEN usa tecnologia para resolver problemas ambientais e comunitários, enquanto o VOICE foca-se em rádio, jornalismo, podcasts e literacia mediática.
Por fim, o LINK organiza formação, eventos e iniciativas que ligam escolas e comunidade, incluindo formação de professores, visitas de estudo e até um Repair Café.
Como funciona na prática
Não há um modelo rígido. Os participantes podem inscrever-se em workshops pontuais ou seguir percursos de três meses. Os projetos repetem-se ao longo do ano para facilitar a participação, e cada conquista fica registada. A ideia é que cada pessoa possa explorar vários universos ao seu ritmo.
O conceito segue a linha dos Centros de Cidadania Digital (CCD) do CDI Portugal, espaços onde a tecnologia serve para resolver problemas reais. Inspirado no princípio das “smart and human cities“, o modelo desafia os cidadãos a usar ferramentas digitais em colaboração com o município e a sociedade civil.
Quem pode participar
O CICF está aberto a públicos diversos. Para crianças e jovens, há projetos que podem influenciar perspetivas de carreira em tecnologia. Jovens NEET (que não estudam nem trabalham) encontram respostas de capacitação digital e cívica. Adultos e seniores podem reforçar competências para empregabilidade, empreendedorismo ou participação cívica. E toda a comunidade educativa tem acesso a práticas para integrar tecnologia nas escolas.

“O CICF é a concretização de uma visão: colocar a tecnologia e a inovação nas mãos de todos, promovendo talento, inclusão e cidadania ativa”, explica João Baracho, diretor-executivo do CDI Portugal. A ambição é que cada participante encontre o seu universo, onde possa aprender, experimentar e contribuir para um futuro “mais sustentável, digital e humano”.
O CDI chegou a Portugal em 2013 com o objetivo de usar tecnologia como ferramenta de inclusão social. Desde então, lançou projetos como o Apps for Good Portugal e o Centro de Cidadania Digital. A organização trabalha com diversas entidades nacionais porque acredita que a tecnologia, quando bem usada, pode fazer a diferença na vida das pessoas.
As inscrições já estão abertas aqui.
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