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O implante cerebral que vai ser testado para combater a depressão

por Marta Amaral | 29 de Abril, 2026

Enquanto empresas como Neuralink, Paradromics e Synchron estão focadas em ajudar pessoas com paralisias a comunicar, a Motif Neurotech está a especializar-se em perturbações de saúde mental.

A startup, fundada em 2022 e sediada em Houston, anunciou que a Food and Drug Administration (FDA) aprovou o início de um ensaio clínico para testar um novo implante cerebral em humanos.

  • O que é? Um dispositivo do tamanho de um mirtilo que promete ajudar no tratamento da depressão. Implanta-se no crânio em cerca de 20 minutos, sem necessidade de cirurgia invasiva ao cérebro.
  • Como funciona? O implante atua na zona do cérebro responsável por funções cognitivas de alto nível e tipicamente menos ativa em doentes com depressão. Através de padrões específicos de estimulação elétrica, a tecnologia pretende “reativar” esta zona.

Segundo o CEO Jacob Robinson, o objetivo é induzir neuroplasticidade, reforçando ligações neuronais e permitindo recuperar comportamentos do quotidiano, como levantar-se da cama, socializar ou fazer exercício.

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  • Por que é importante? Segundo a Motif Neurotech, os doentes vão poder receber tratamento em casa, através de um boné que comunica com o implante, fornece energia e controla a dose de estimulação.
  • O prometido: Nas fases iniciais, o dispositivo deverá ser usado várias vezes por dia, durante períodos de 10 a 20 minutos, sendo depois reduzido para manutenção. A empresa estima que possam surgir melhorias (e até remissão) nos primeiros 10 dias.
  • Para quem é? O foco são os casos de depressão resistente ao tratamento, definidos por ausência de resposta a pelo menos dois antidepressivos, uma condição que, segundo a empresa, afeta milhões de pessoas. 

Neste primeiro ensaio clínico, 10 participantes vão ser testados, para avaliar a segurança do implante ao longo de 12 meses. Paralelamente, vão ser monitorizados sintomas depressivos, ansiedade, função cognitiva e qualidade de vida.

Numa fase mais avançada, a Motif pretende integrar monitorização contínua da atividade cerebral, permitindo ajustar a estimulação de forma personalizada.