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Lisboa vai acolher uma nova produtora internacional de cinema

por Marta Amaral | 24 de Fevereiro, 2026

Com sede em Lisboa e escritório em Nova Iorque, a OPEN CITIES nasce como aceleradora e produtora cinematográfica internacional, com a ambição de ajudar cineastas independentes a desenvolver projetos mais ambiciosos com orçamentos sustentáveis.

A iniciativa é liderada por Joana Vicente, ex-CEO do Sundance e antiga diretora executiva do Festival Internacional de Cinema de Toronto, pelo produtor nomeado aos Óscares® Jason Kliot, por Tony Gonçalves, ex-Chief Revenue Officer da WarnerMedia e atual CEO da The Evrose Group, e pelo empresário e investidor português Filipe de Botton.

Em comunicado, a organização refere que a OPEN CITIES posiciona-se como uma estrutura centrada no cineasta, combinando visão artística com tecnologias de produção avançadas e colaboração global para apoiar filmes com potencial de distribuição mundial. Os projetos têm vocação internacional e podem ser filmados e produzidos em qualquer parte do mundo. Está também previsto o lançamento de um fundo de financiamento até ao final do ano.

A aceleradora arranca com um programa virtual, entre agosto e novembro, dedicado ao aperfeiçoamento prático de guiões, mentoria individual e integração orientada de novas ferramentas de produção e tecnologias emergentes, incluindo o uso consciente de inteligência artificial e prototipagem rápida. O percurso culmina numa semana de imersão presencial em Lisboa e num dia de apresentação de projetos. Um número limitado será selecionado para financiamento e produção, mas todos os participantes terminam com um “guião refinado, um plano de produção definido e materiais de prova de conceito”. As candidaturas abrem a 15 de março.

“Numa altura em que o cinema independente parece cada vez mais frágil, vemos enormes possibilidades. Ao construir um espaço para a experimentação com artistas, estamos a criar um ambiente onde a inovação criativa e técnica podem prosperar juntas, apoiando o desenvolvimento artístico e permitindo aos cineastas contar histórias ousadas e ambiciosas”, afirma Joana Vicente, cofundadora e CEO.

O modelo inspira-se na experiência acumulada pelos fundadores na transição para o cinema digital. Há 25 anos, Joana Vicente e Jason Kliot, através da Blow Up Pictures e da HDNet Films (com Mark Cuban), estiveram envolvidos numa fase de viragem tecnológica que ampliou as possibilidades do cinema independente, em colaborações com realizadores como Alex Gibney, Brian De Palma e Steven Soderbergh. Hoje, consideram que as tecnologias emergentes de produção e a IA representam uma transformação ainda mais profunda, esta é a base conceptual do projeto OPEN CITIES.

“Como disse Akira Kurosawa, ‘Ser artista significa nunca desviar o olhar’. Passámos as nossas carreiras a confrontar as mudanças tecnológicas e a convertê-las em poder criativo. O nosso foco agora é capacitar a próxima geração de contadores de histórias independentes a fazer filmes que antes estavam fora de alcance”, reforça Jason Kliot, cofundador, presidente e diretor criativo.

A OPEN CITIES conta com o apoio de um grupo consultivo internacional que abrange o cinema, a tecnologia, a filantropia e a liderança criativa. Os consultores incluem David Linde, CEO do Sundance Institute; Katherine Oliver, diretora da Bloomberg Philanthropies; Mark D’Arcy, diretor criativo global da Microsoft AI; Joonas Makkonen, fundador e diretor de tecnologia da Dobbin; Pedro Santa Clara, fundador da Tumo e da Escola 42 Lisbon; Jon Kamen, fundador e CEO da RadicalMedia; Jed Alpert, fundador e CEO da Mobile Commons; e Abhishek Sharma, programador e engenheiro de produtos de IA.

A empresa conta ainda com investidores internacionais do Brasil, Portugal e Estados Unidos, refletindo a natureza cada vez mais global do cinema independente, e defende que a tecnologia deve expandir (e não substituir) o papel dos cineastas, abrindo caminho a um novo modelo de sustentabilidade criativa e económica.

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