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Investidores angariam 500 mil euros para recuperação das florestas marinhas em Portugal

por Gabriel Lagoa | 21 de Abril, 2026

A plataforma Goparity financiou a SeaForester para restaurar algas em desaparecimento na costa portuguesa. Meio milhão de euros angariado com investimentos a partir de 10 euros.

Há florestas que nunca vemos e que estão a desaparecer. São feitas de algas, vivem debaixo de água ao longo da costa portuguesa e têm um papel considerado decisivo no equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Foi para ajudar a recuperá-las que a Goparity, plataforma de investimento de impacto sediada em Lisboa, lançou uma campanha de financiamento em torno da SeaForester, empresa portuguesa focada no restauro destas florestas submarinas.

O resultado? 500 mil euros angariados, com a participação de 2262 investidores de 24 países. O valor médio investido ficou nos 221 euros, mas as contribuições começaram nos 10 euros, com o maior cheque a chegar aos 15 mil.

O que está em causa

Em comunicado, a Goparity explica que as florestas de algas funcionam como sumidouros de carbono e como habitat para dezenas de espécies. O problema é que a subida da temperatura da água, a poluição e a degradação costeira estão a fazer com que estas florestas desapareçam rapidamente. 

Os fundos vão financiar a expansão das operações da SeaForester ao longo da costa portuguesa: instalação de sistemas de cultivo que aumentam a produção em até 10 hectares de áreas costeiras degradadas, ensaios para reduzir o tempo de cultivo e testes de métodos de plantação direta. A metodologia da empresa passa por cultivar algas em pequenos substratos naturais, pedras, por exemplo, em viveiros, que são depois colocados em zonas marinhas degradadas.

A ligação à academia

A empresa trabalha com o Instituto Politécnico de Leiria, municípios, escolas de mergulho e comunidades piscatórias. O objetivo não é só plantar algas, é criar condições para que os ecossistemas se regenerem por conta própria.

Pål Bakken, CEO da SeaForester, sublinha que os 500 mil euros “não só financiam o trabalho, como criam uma comunidade empenhada na restauração das florestas de algas marinhas de Portugal”. Para Nuno Brito Jorge, CEO da Goparity, este projeto mostra que “soluções baseadas na natureza podem ser escaláveis e eficazes”.

Além do carbono, o restauro destas florestas tem impacto direto nos stocks de peixe e no equilíbrio de nutrientes e, por extensão, nas comunidades que vivem do mar.

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