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Lisboa entra no top 10 europeu dos ecossistemas de startups com maior crescimento

por Marta Amaral | 28 de Maio, 2026

As cidades portuguesas continuam longe da escala de Londres, Paris ou Berlim, mas começam a afirmar-se como um dos ecossistemas tecnológicos europeus com maior dinâmica de crescimento. 

Lisboa entrou este ano no top 10 europeu de “Rising Stars” da Dealroom, um ranking que distingue os hubs tecnológicos com maior aceleração em valor empresarial, criação de unicórnios e crescimento ajustado ao custo de vida e PIB.

No relatório “Global Tech Ecosystem Index 2026”, que analisou 325 ecossistemas tecnológicos em 77 países, a capital portuguesa surge em 10.º lugar europeu na categoria de crescimento, ao lado de cidades como Istambul, Kyiv, Zagreb ou Varsóvia. O Porto também aparece entre os hubs europeus identificados como cidades com presença de unicórnios e atividade tecnológica relevante.

O estudo da Dealroom, uma das principais plataformas globais de análise de startups e capital de risco, avalia ecossistemas com base em investimento, criação de valor, talento universitário, densidade tecnológica e crescimento.

Quem pôs Portugal no mapa?

O destaque português no ecossistema tecnológico europeu tem sido impulsionado por uma nova geração de startups e unicórnios que ganharam dimensão internacional na última década.

  • A OutSystems continua a ser o maior caso de sucesso português em software empresarial, tendo atingido uma valorização superior a 9 mil milhões de dólares.
  • A Feedzai consolidou-se como uma das principais fintechs globais na área de prevenção de fraude com inteligência artificial.
  • A Sword Health tornou-se uma das startups portuguesas mais relevantes na área da saúde digital, enquanto a Talkdesk cresceu como plataforma de software para centros de contacto baseada na cloud.
  • Também a Remote (fundada por portugueses, embora sediada nos EUA) ajudou a reforçar a imagem de Portugal como ponto de origem de startups globais ligadas ao trabalho remoto e software empresarial.
  • No Porto, a Farfetch teve um papel decisivo na criação do atual ecossistema tecnológico da cidade. Apesar da crise recente e da venda à sul-coreana Coupang, a empresa foi responsável pela formação de centenas de profissionais especializados em tecnologia, produto e operações, muitos dos quais acabaram por criar novas startups ou integrar outras empresas tecnológicas.

Além dos unicórnios, o ecossistema português passou a incluir dezenas de startups em crescimento nas áreas de inteligência artificial, clima, cibersegurança, saúde digital, fintech e software empresarial.

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Cidades que estão a dar que falar

  • O que está a impulsionar Lisboa: Custo de vida relativamente competitivo face a outras capitais europeias, forte capacidade de atração de talento internacional, crescimento do ecossistema de startups e aumento da presença de fundos e multinacionais tecnológicas. Além disso, a realização da Web Summit ajudou a projetar internacionalmente a cidade, mas o crescimento do ecossistema português vai hoje muito além do evento.

Tem aumentado o número de startups fundadas por empreendedores estrangeiros ou equipas internacionais a operar a partir de Lisboa, sobretudo nas áreas de IA, Web3, fintech e software.

O relatório da Dealroom dá particular importância à relação entre crescimento tecnológico e acessibilidade económica. É precisamente nessa combinação (crescimento relativamente rápido com custos inferiores aos de hubs como Londres, Paris ou Amesterdão) que Lisboa ganha competitividade.

  • Porto também ganha visibilidade: Embora Lisboa concentre grande parte do investimento e da notoriedade internacional, o Porto também surge identificado no mapa europeu de cidades tecnológicas com presença de unicórnios.

Nos últimos anos, a cidade consolidou um ecossistema ligado à engenharia, software, gaming, healthtech e centros tecnológicos internacionais. A presença de universidades, talento técnico e hubs de multinacionais ajudou a transformar o Porto num dos principais polos tecnológicos ibéricos.

Estamos no caminho…

Apesar da evolução portuguesa, a distância para os grandes hubs tecnológicos europeus e norte-americanos continua significativa. 

  • A piscina dos “grandes”: Londres lidera o ranking europeu de “Global Champions”, seguida de Paris, Estocolmo, Berlim e Munique, enquanto a Bay Area mantém a liderança mundial, à frente de Nova Iorque, Boston, Londres e Los Angeles. 

Segundo a Dealroom, estes ecossistemas destacam-se pela capacidade de atrair capital de risco, gerar unicórnios e criar ciclos contínuos de empreendedorismo. Ainda assim, o relatório sublinha que a nova geração de polos tecnológicos já não está concentrada apenas nos centros históricos: cidades mais pequenas ou mercados periféricos estão a ganhar relevância graças à especialização tecnológica, densidade de talento e custos operacionais mais baixos. É nesse grupo que Lisboa começa agora a afirmar-se.