Esta empresa quer reinventar a banana (e levantou 105 milhões de dólares para o fazer)
por Gabriel Lagoa | 17 de Março, 2026
A Tropic angariou 105 milhões de dólares para levar ao mercado bananas editadas geneticamente, sem escurecimento, com mais tempo de prateleira e resistentes a doenças.
Cortar uma banana para uma salada de fruta e ver a polpa escurecer em minutos é um problema antigo. Acontece que há uma empresa no Reino Unido que diz ter a solução e acaba de angariar 105 milhões de dólares para o demonstrar. Mas a banana que não escurece é só o início.
A ronda de financiamento da Tropic serve para escalar a produção, consolidar parcerias comerciais e avançar com novas variedades de banana. O foco imediato está em duas inovações que já têm aprovação regulatória nos Estados Unidos, Canadá, Filipinas, Colômbia e Honduras: bananas que não escurecem ao ser cortadas e bananas com maior vida útil.
A primeira resulta da desativação do gene responsável pela produção de uma enzima que causa o escurecimento quando a fruta entra em contacto com o ar. O sabor, o aroma e o teor de açúcar ficam inalterados, segundo Para as empresas de retalho e restauração, isto abre a porta a incluir banana em produtos de fruta cortada, um mercado até agora praticamente inacessível para esta fruta.
A segunda variante atua sobre os genes que regulam a produção de uma hormona vegetal responsável pelo amadurecimento. Ao abrandar este processo, a Tropic garante pelo menos dez dias extra de vida ao produto, o que permite colher mais tarde, transportar durante mais tempo e reduzir custos de embalagem e refrigeração.

Mas talvez a aposta mais relevante da empresa seja outra: desenvolver bananas resistentes ao fungo Fusarium wilt, conhecido como TR4. A doença, detetada pela primeira vez no Sudeste Asiático, já chegou a África, América Latina e ao Equador, um dos maiores produtores mundiais. Citado pela AgFunderNews, uma publicação especializada em tendências do setor agroalimentar, o CEO da Fresh Del Monte, uma das maiores empresas do mundo na produção, distribuição e comercialização de fruta e vegetais frescos, descreveu a situação como uma ameaça existencial a uma indústria que, segundo dados da capital de risco IQ Capital, está avaliada em 25 mil milhões de dólares.
Para combater o TR4, a Tropic recorre à sua tecnologia patenteada, que ativa mecanismos de interferência de RNA já presentes nas plantas para atacar os genes do fungo. Ao contrário das técnicas convencionais, escreve o site de notícias, este método permite ajustes mais precisos, incluindo limitar a alteração a tecidos específicos da planta, como a raiz ou o fruto. A tecnologia não é classificada como OGM, o que simplifica o processo regulatório.
O arranque comercial das bananas resistentes ao TR4 está previsto para 2027. O financiamento foi liderado pelo Forbion Bioeconomy Fund e pela Corteva, com participação de investidores como a Temasek, Five Seasons Ventures e IQ Capital.
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