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Apple faz 50 anos. Como é que o MacBook mudou a vida de fundadores portugueses?

por Marta Amaral | 1 de Abril, 2026

Fundada em 1976 por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne, a Apple nasceu numa garagem com a ambição de tornar os computadores pessoais acessíveis a todos.

O terceiro fundador, Ronald Wayne, acabou por sair da empresa apenas 12 dias depois e vendeu a sua participação por 800 dólares (uma decisão frequentemente lembrada como uma das maiores oportunidades perdidas na história dos negócios), já que a Apple viria a tornar-se a primeira empresa trilionária do mundo.

O primeiro grande sucesso chegou pouco depois, com o Apple II, um dos primeiros computadores de produção em massa e um marco na popularização da “computação doméstica”.

Cinco décadas depois, a Apple transformou-se numa das empresas mais valiosas do mundo, com uma capitalização bolsista que ronda os três biliões (trillion) de dólares e receitas anuais superiores a 380 mil milhões de dólares. O seu ecossistema ultrapassa hoje os dois mil milhões de dispositivos ativos a nível global e continua a crescer, impulsionado por uma base de utilizadores altamente fiel.

Hoje, líder global em smartphones e com uma presença consolidada em áreas como wearables, serviços digitais e computação pessoal, a Apple construiu um ecossistema que vai muito além de um único produto. Ainda assim, o seu produto mais antigo (o computador Mac) mantém uma presença sólida num mercado dominado por outras plataformas. Segundo estimativas de analistas como a IDC, a Apple terá vendido entre 20 a 25 milhões de Macs no ano passado. Os computadores da Apple representam entre 8% e 10% dos computadores vendidos em todo o mundo.

Ainda que longe da liderança em volume, o impacto da marca vai muito além dos números: estima-se que existam mais de 100 milhões de utilizadores ativos de Mac em todo o mundo, sobretudo concentrados em áreas como tecnologia, design, media e empreendedorismo.

Ao longo de décadas, estes computadores tornaram-se mais do que ferramentas de trabalho: são objetos de identidade, símbolos de criatividade e, para muitos profissionais, companheiros de momentos decisivos.

Para vários líderes de startups e empresas portuguesas, o primeiro contacto com um MacBook não foi apenas uma mudança de dispositivo, mas um ponto de viragem, seja no início de um projeto, na transição de carreira ou na forma de trabalhar. Reunimos alguns desses testemunhos, tal como nos foram partilhados:

Miguel Muñoz Duarte, Fundador do Fledge Institute

“Comprei o meu primeiro MacBook quando decidi arriscar tudo e tornar-me empreendedor. Estava a começar o meu próprio negócio e o orçamento era apertado, mas sabia que para criar algo extraordinário, precisava de trabalhar com o extraordinário.
Quando decidi comprar o meu primeiro Mac não foi apenas uma compra, tornou-se o meu sócio silencioso nas maratonas de trabalho e nas noites em branco a tirar as minhas ideias do papel e dar-lhes a beleza que elas mereciam.

Lembro-me perfeitamente da caixa, do cheiro, do toque e da magia que senti. E lembro-me como se fosse hoje do desafio que aquela obra-de-arte me fazia diariamente: “Think Different”. Pensa diferente… e Faz diferente para fazer a Diferença. Foi o que tentei fazer sempre. Com a Apple nas mãos e no coração”.

Rita Oliveira, Founder & CEO da Shift

Tive o meu primeiro MacBook, que era um MacBook Pro, há seis ou sete anos, já com cerca de 20 anos de experiência profissional. Sinto que o desafio não foi a mudança de sistema em si, porque acho que hoje os ambientes MacOS e Windows estão bastante alinhados, o que torna a transição muito mais simples do que, muitas vezes, se imagina. Curiosamente, a maior dificuldade esteve na experiência física, porque vinha de um computador com ecrã touch e senti alguma falta dessa interação mais imediata. Ainda assim, rapidamente fui compensada por outros aspetos que fazem toda a diferença no dia a dia.

Enquanto profissional de branding, há também uma dimensão simbólica e quase de “status especial” inevitável. Ter um Mac é trabalhar num produto com identidade muito própria — sedutora, divertida e com um design irrepreensível. Existe quase um “efeito de marca”, porque dizemos que trabalhamos em Mac, mas não dizemos que trabalhamos num Lenovo, por exemplo, o que acaba por influenciar a perceção que deixamos. De um modo geral, superou e continua a superar as expectativas, sobretudo ao nível do conforto de utilização. O teclado e o ecrã, mais alargado e sem moldura de plástico, fizeram uma diferença real na forma como trabalho”.

Ana Rita Rodrigues, Coordenadora do Departamento de Inovação da JUNITEC

A minha primeira experiência com um MacBook surgiu durante a minha licenciatura em Engenharia Biomédica, quando comecei a trabalhar em programação, desenvolvimento de algoritmos preditivos e modelação 3D. O modelo era um MacBook Air M2 e o que mais me marcou foi a forma como conseguia integrar todos os meus projetos, desde a programação à investigação, de forma fluida e sem interrupções, algo essencial em projetos mais exigentes.

O facto de já utilizar iPhone e iPad tornou a experiência ainda mais completa, sobretudo pela facilidade de sincronização de ficheiros, notas e calendário, que me permite manter continuidade entre o estudo e o trabalho. Atualmente, utilizo esse mesmo Mac diariamente, seja como estudante de Mestrado em Engenharia ou Coordenadora do Departamento de Inovação da JUNITEC, a júnior empresa do Instituto Superior Técnico. Num contexto muito focado em abordagem comercial, gestão de projetos e organização de eventos, o Mac é essencial pela fiabilidade e pela capacidade de integrar comunicação, planeamento e execução numa única ferramenta”.

Rúben Lamy, Founder, CEO da BIGhub

“Tive o meu primeiro MacBook aos 22 anos e, embora já não me recorde do modelo exato, não esqueço o impacto que teve no meu dia a dia, sobretudo pela forma como simplificou as tarefas. Desde então, nunca senti necessidade, nem vontade de mudar de marca, porque me oferece exatamente aquilo de que preciso: rapidez, desempenho e uma experiência de utilização de elevada qualidade, capaz de acompanhar o ritmo exigente do meu trabalho”.

Cinco décadas depois da sua fundação, a Apple continua a ocupar um lugar singular no imaginário tecnológico. Mais do que especificações ou desempenho, o que emerge destes testemunhos é a forma como um produto se cruza com momentos-chave de vida e carreira e como, para muitos, o primeiro MacBook não é apenas uma ferramenta, mas parte da própria história que estão a construir.

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