Voltar | Trabalho

“Um restaurante cheio não é, por si só, sinónimo de rentabilidade”

por Gabriel Lagoa | 27 de Março, 2026

Mais de 10 mil restaurantes fecharam em Portugal em 2025. CEO da DIG-IN diz que problema nem sempre é falta de clientes, mas de dados para gerir o negócio.

Sala cheia, caixa vazia. É esta a realidade de muitos restaurantes portugueses que, apesar de receberem clientes, não conseguem pagar as contas no fim do mês. Em 2025, mais de dez mil estabelecimentos de restauração encerraram em Portugal, não por falta de movimento, mas por falta de visibilidade sobre o que se passa dentro do próprio negócio.

“Um restaurante cheio não é, por si só, sinónimo de rentabilidade. O problema estrutural do setor não é a falta de clientes, é a falta de visibilidade sobre o que acontece dentro do próprio negócio”, afirma Nuno Fernandes, CEO da DIG-IN. “Sem dados, os operadores tomam decisões no escuro, e num contexto de margens tão estreitas, um erro de gestão pode ser fatal.”

Mais: os empréstimos contraídos durante a pandemia, entre 2020 e 2022, continuam a ser pagos. A isso juntam-se matérias-primas mais caras e um consumidor doméstico a segurar a carteira. O resultado são encerramentos que os números oficiais raramente conseguem acompanhar. 

À procura de boas ideias?

Começa a ler as melhores histórias de inovação diretamente no teu e-mail aqui

O Governo anunciou um pacote de apoio com financiamento até 60 mil euros por empresa, sendo 30% a fundo perdido, e a possibilidade de reestruturar dívidas junto do Turismo de Portugal. Para Nuno Fernandes, as medidas ajudam, mas não chegam sozinhas: “Os apoios financeiros compram tempo. Mas o que salva um negócio a longo prazo é a capacidade de antecipar problemas, ajustar a oferta, controlar custos e perceber o comportamento dos clientes. É aqui que a análise de dados faz a diferença.”

Foi com este propósito que a DIG-IN criou a sua plataforma e estabeleceu uma parceria com a AHRESP, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal. A ideia é pôr a ciência de dados ao alcance de qualquer operador do setor, desde a gestão da presença online à análise de reservas e padrões de consumo. 

“Ao unir a nossa capacidade analítica à representatividade institucional da AHRESP, estamos a dar ao setor uma bússola estratégica para enfrentar os desafios de 2026. E são muitos”, remata o CEO.