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UE abre concurso para sete gigafábricas de IA. Portugal prepara candidatura ibérica

por Gabriel Lagoa | 31 de Julho, 2026

Bruxelas abriu concurso para até sete gigafábricas de IA, com Portugal e Espanha a avançar com uma candidatura conjunta avaliada em 8 mil milhões de euros.

A Comissão Europeia lançou esta semana um concurso público para financiar até sete gigafábricas de IA na Europa, numa altura em que procura criar capacidade soberana de computação e recuperar terreno face aos concorrentes tecnológicos globais, com projetos de centros de dados já em curso nos Estados Unidos e na China.

  • O que são as gigafábricas de IA? São instalações de computação de grande escala equipadas com chips avançados, concebidas para treinar os modelos de linguagem mais exigentes.

A ideia foi anunciada por Ursula von der Leyen no AI Action Summit, em Paris, em fevereiro de 2025, com a ambição de replicar o sucesso do CERN, em Genebra. Desde então, 76 potenciais consórcios manifestaram intenção preliminar de apresentar propostas, o que levou a Comissão a alargar o âmbito inicial de quatro ou cinco gigafábricas para até sete, de forma a responder à procura do setor privado e garantir uma distribuição geográfica equilibrada.

A iniciativa é liderada pela indústria e apoiada por até 10 mil milhões de euros de financiamento nacional e europeu, com a expectativa de desbloquear pelo menos 20 mil milhões de euros de investimento privado em toda a UE.

Um ponto sensível é a dependência de fornecedores de fora da Europa para os chips mais avançados. Apesar de as gigafábricas serem apresentadas como um passo para a soberania tecnológica europeia, a Comissão Europeia assinou cartas de intenção com três fabricantes norte-americanos, a Nvidia, a AMD e a Qualcomm, para garantir o acesso ao hardware necessário. Entre os critérios de avaliação das candidaturas constam também medidas para evitar uma dependência excessiva de um único fornecedor.

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Como funciona o concurso

Podem candidatar-se consórcios ou entidades de finalidade especial que reúnam empresas, entidades públicas, investidores e outros parceiros. As gigafábricas podem instalar-se num único Estado-Membro, num único local ou distribuídas por vários, incluindo projetos transfronteiriços entre países, e as propostas serão sujeitas a uma avaliação competitiva.

O concurso está dividido em dois lotes, cada um com duas fases. O primeiro lote apoia até quatro projetos, cada um elegível para até 100 milhões de euros de financiamento europeu na primeira fase e mais 400 milhões na segunda. Cada gigafábrica selecionada terá de instalar, logo na primeira fase, pelo menos tantos processadores avançados quantos os que existem hoje na fábrica de IA mais potente da Europa, subindo para o triplo dessa capacidade na segunda fase.

O segundo lote apoia até três projetos de maior escala, cada um elegível para até 200 milhões na primeira fase e mais 800 milhões na segunda, com uma capacidade inicial até ao dobro da atual fábrica mais potente e um mínimo de quatro vezes esse nível na segunda fase. Em ambos os lotes, os Estados-Membros que apoiem os projetos selecionados terão de igualar o financiamento atribuído pela União Europeia.

Portugal na corrida ibérica

Portugal e Espanha decidiram avançar com uma candidatura conjunta, ao segundo lote do concurso, o das gigafábricas de maior escala. No total, o projeto ibérico está avaliado em cerca de oito mil milhões de euros, entre investimento público e privado, repartidos por igual pelos dois países: cerca de quatro mil milhões do lado português e outros tantos do lado espanhol.

Dentro desse valor, o compromisso direto do Estado português é de até 200 milhões de euros na primeira fase do concurso, montante que será igualado pelo financiamento europeu caso a candidatura seja selecionada. Segundo o ministro-adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, esta gigafábrica “garante que Portugal terá capacidade soberana de produção de inteligência artificial”.