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Portuguesa Open Cosmos Atlantic lidera iniciativa europeia de resiliência na observação da Terra

por Gabriel Lagoa | 28 de Julho, 2026

O foco é entregar um satélite de muito alta resolução que reduza o tempo entre a captura da imagem em órbita e a sua disponibilização aos utilizadores em terra.

A Open Cosmos Atlantic, entidade portuguesa da Open Cosmos, empresa que constrói satélites para compreender e conectar o mundo, foi selecionada pela Agência Espacial Europeia (ESA) para liderar um estudo de consolidação de missão no âmbito do ERS-EO. O programa, European Resilience from Space – Earth Observation, é uma nova iniciativa europeia de resiliência de observação da Terra. 

Se for bem sucedido, o estudo levará à implementação de um satélite completo, com a Open Cosmos Atlantic como líder de missão. Começando num contrato de 750 mil euros pelo estudo, o contrato potencial poderá chegar aos 25 milhões de euros. Esta será a primeira vez que uma entidade portuguesa liderará uma missão espacial da ESA.

Investimento de 50 milhões inclui fábrica em Coimbra

A operar em Portugal desde 2022, a Open Cosmos Atlantic está, neste momento, a executar um plano de investimento de 50 milhões de euros no país, tendo já investido 15 milhões até à data. A estratégia atual inclui a construção de uma fábrica de satélites em Coimbra, que exigirá a contratação de 50 novos colaboradores, duplicando a equipa atual, e o lançamento de quatro satélites de observação da Terra de alta resolução, desenvolvidos e construídos em Portugal, que a empresa irá também operar já este ano. Em comunicado, a empresa afirma que esta é uma competência-chave, a par com as telecomunicações, para amadurecer esta nova missão ERS-EO, que visa reduzir o tempo de obtenção de informação, um dos conceitos críticos identificados pela ESA como estando na vanguarda das capacidades europeias e sendo essencial para a sua soberania.

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“Com este projeto, Portugal assume um papel de destaque num programa europeu emblemático, o que atesta o desenvolvimento de tecnologia espacial de ponta em solo nacional, a capacidade de o setor criar emprego e coloca o nosso país na vanguarda do setor espacial europeu”, assinala Tiago Rebelo, Chief Revenue Officer of Open Cosmos.

Ligações entre satélites e IA reduzem tempo de resposta

Diz a Open Cosmos Atlantic que, geralmente, o tempo é longo entre o momento da captura da imagem pelo satélite e a sua chegada à estação terrestre para processamento e posterior partilha com o utilizador final. Os fatores limitantes são o tempo durante o qual o satélite permanece visível para uma estação terrestre, permitindo a transmissão da imagem, e o tempo de processamento. O conceito desta nova missão propõe duas inovações: o uso de ligações entre satélites, para estabelecer uma conexão direta com a estação terrestre que, de outra forma, estaria fora do alcance visual; e o processamento a bordo e a tomada de decisão com IA para transmitir informações diretamente a um terminal terrestre. 

O estudo estará finalizado no outono, com a decisão final para a implementação a ser tomada até ao final do ano. O lançamento da missão está previsto para o final de 2028.