Voltar | Inteligência Artificial, Dossier: Crescer a partir de Portugal

Portugal quer redesenhar o futuro da moda através da IA

por Gabriel Lagoa | 11 de Dezembro, 2025

Portugal começa a integrar inteligência artificial na indústria da moda, com empresas que testam novas formas de produção e maior transparência nas cadeias têxteis.

O setor têxtil português vive entre a força da tradição e a pressão para se adaptar a um mercado global onde a tecnologia marca o ritmo. No novo episódio da série The Next Big Idea, visitamos esse equilíbrio ao acompanhar duas empresas que ocupam posições diferentes da cadeia, mas que convergem num objetivo comum: criar processos mais transparentes e eficientes. A Calvelex, com quatro décadas de atividade, e a Smartex, que nasceu com foco tecnológico, ilustram como a inteligência artificial começa a alterar o modo como se produz e se pensa moda em Portugal.

A Calvelex cresceu ligada ao saber de alfaiataria que atravessa gerações na família de César Araújo. A empresa produz peças para marcas internacionais e construiu ferramentas próprias para organizar o conhecimento acumulado. Uma delas é a fabrics4fashion, uma tecidoteca com mais de 40 mil referências. Outra é a plataforma calvelex.net, que reúne mais de 110 mil fittings. O próximo passo passa por cruzar estas bases de dados com sistemas de inteligência artificial. A ambição é transformar processos que ainda dependem de práticas tradicionais e criar caminhos que facilitem escolhas de materiais e modelos.

Reduzir os defeitos e aumentar a rastreabilidade

A Smartex olha para a mesma indústria a partir da fábrica e tenta resolver um problema global: o desperdício que resulta de falhas de produção e da inexistência de mecanismos de controlo que permitam acompanhar cada etapa. Com recurso à tecnologia da Smartex, os equipamentos das fábricas usam câmaras e sensores que identificam defeitos através de modelos de IA capazes de se adaptar a critérios diferentes de cada marca.

O objetivo é reduzir perdas, tornar a produção rastreável e permitir decisões baseadas em dados. Como explica o presidente da startup, Gilberto Loureiro, mesmo as grandes empresas internacionais podem desconhecer onde parte da sua roupa é produzida, o que revela a fragilidade das cadeias de fornecimento atuais.

Um ecossistema que discute o que vem a seguir

Ambas as empresas reconhecem que o país tem características que favorecem o desenvolvimento deste tipo de soluções. A proximidade entre fábricas, marcas e centros de conhecimento cria um ambiente de experimentação difícil de replicar noutros mercados. Além disso, regiões do interior que dependem da indústria têxtil podem beneficiar de processos mais digitalizados e de novas qualificações que valorizam quem já trabalha no setor.

Esta discussão estende-se para lá da produção. Nos encontros Above and Beyond Hangouts, promovidos pela Startup Portugal, ouvimos empreendedores e investidores debater como o país pode reforçar a sua estratégia de inovação. 

O episódio mostra um país que combina experiência industrial com novas tecnologias e que tenta responder às exigências de um setor em mudança. Continuamos a acompanhar o que acontece nas fábricas, nos laboratórios e nos espaços de debate, onde se discute o futuro da moda e da inovação em Portugal.

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