Continuamos a falar de produtividade como se o problema fosse as pessoas. Mas, na maioria das organizações, o problema já não está nas pessoas. Está nas condições em que lhes pedimos para trabalhar.
Durante anos insistimos na ideia de que produtividade se mede em presença, tempo e disponibilidade. O resultado é um paradoxo cada vez mais evidente: equipas mais ocupadas do que nunca, mas nem sempre mais produtivas.
A maior parte das empresas continua a discutir onde as pessoas trabalham. As organizações mais inteligentes já perceberam que a questão certa é outra: em que condições conseguem produzir melhor. Esta mudança altera profundamente a forma como pensamos o trabalho, os espaços e a gestão de equipas.
O que vemos hoje, através da experiência com comunidades profissionais e empresas de diferentes setores, é que a produtividade deixou de ser uma variável constante. Depende do contexto. A mesma equipa pode ter desempenhos muito diferentes consoante o espaço, o nível de interrupções e o tipo de trabalho que está a realizar.
É por isso que os modelos tradicionais de escritório único mostram limitações.
O trabalho já não é homogéneo ao longo do dia: alterna entre foco profundo, colaboração e decisões rápidas. Quando tudo acontece no mesmo ambiente, sem adaptação, perde-se eficiência.
Este ponto é também consistente com várias análises internacionais. A OCDE tem sublinhado que a produtividade depende cada vez mais de fatores como autonomia, organização do trabalho e qualidade do ambiente, e não apenas do número de horas trabalhadas.
Neste contexto, os espaços de trabalho flexível e os coworks deixam de ser apenas uma alternativa ao escritório tradicional. Tornam-se ecossistemas que permitem ajustar o ambiente ao tipo de tarefa, com impacto direto na forma como as pessoas trabalham e organizam o seu tempo.
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Ao mesmo tempo, redes de espaços distribuídas pela cidade ajudam a reduzir deslocações e a tornar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional mais realista, enquanto mantêm a ligação ao trabalho.
Outro fator relevante é a comunidade. Em muitos destes espaços, as interações entre profissionais, o networking e as atividades fora do horário laboral criam valor que não aparece nas métricas tradicionais, mas que influencia colaboração, aprendizagem e inovação.
Tudo isto aponta para uma mudança mais profunda. A produtividade deixa de ser uma questão de controlo e passa a ser uma questão de contexto. O futuro do trabalho vai depender menos de onde as pessoas estão e mais das condições que lhes são dadas para pensar e decidir melhor.
No fundo, a vantagem competitiva das organizações já não está apenas nas pessoas que contratam, mas na capacidade de criar ambientes onde essas pessoas conseguem produzir o seu melhor trabalho.
Estamos a sair de um modelo definido pelo lugar e pelo tempo e a entrar num modelo definido pelo contexto. Nesse novo paradigma, a produtividade já não é um reflexo do controlo, mas da autonomia.
A maior mudança não está nas ferramentas. Está na forma como escolhemos trabalhar.