De contrato a contrato, a Via Verde ganha espaço no negócio europeu das portagens
por Gabriel Lagoa | 27 de Novembro, 2025
A aquisição da Axxès coloca a Via Verde em 14 mercados europeus e reforça a aposta da Brisa no negócio das portagens eletrónicas para veículos pesados.
O Grupo Brisa concluiu aquisição da Axxès, empresa francesa que fornece serviços de portagens eletrónicas para camiões, autocarros e outros veículos de mercadorias em 14 países europeus. O negócio, cujo valor não foi divulgado, posiciona a Via Verde “como um dos maiores prestadores de serviços de portagem eletrónica na Europa”, diz um comunicado enviado às redações.
A Axxès processa anualmente mais de mil milhões de euros em transações. Fundada em 2005 e sediada em Lyon, a empresa emprega 125 trabalhadores e opera em França, Alemanha, Bélgica, Itália, Áustria, Polónia, República Checa, Suíça, Dinamarca, Hungria, Suécia, Liechtenstein, Espanha e Portugal.
Para António Pires de Lima, CEO do Grupo Brisa, a conclusão da aquisição “representa um passo importante na execução do nosso plano estratégico, afirmando a Via Verde como líder europeia em serviços de mobilidade”. O responsável sublinha que a Axxès traz “uma plataforma inovadora e uma presença reforçada no segmento de veículos pesados”.
De sistema de portagens a plataforma de mobilidade
Há já alguns anos, a Via Verde deixou de ser apenas o sistema eletrónico de pagamento de portagens e transformou-se numa plataforma de serviços de mobilidade. A empresa oferece hoje pagamento em parques de estacionamento, carregamento de veículos elétricos, abastecimento em postos de combustível aderentes, drive-thru e ferries.
Esta expansão de serviços permitiu à Via Verde aumentar o volume de operações por cliente. Segundo declarações anteriores de António Pires de Lima ao ECO, a aquisição da Axxès permitirá que a Via Verde passe de uma faturação anual de cerca de 60 milhões de euros para mais de 100 milhões nos próximos dois anos.
A consolidação do capital também faz parte da estratégia de expansão. Em março de 2025, a Brisa chegou a acordo com a Ascendi para comprar os 25% que detinha na Via Verde, passando a controlar a totalidade do capital. A Brisa já tinha comprado a participação de 20% da SIBS em 2021.
Países Baixos como trampolim europeu
A internacionalização da Via Verde acelerou nos últimos anos, com os Países Baixos a funcionarem como porta de entrada no mercado europeu. Em dezembro de 2024, a empresa começou a operar no túnel de Blankenburg, na região de Roterdão, através da subsidiária MOVE-IZI. O contrato prevê dois anos de implementação e cinco anos de operação.
Meses antes, em outubro de 2024, a Via Verde ganhou outro contrato nos Países Baixos, desta vez para implementar um sistema de cobrança de portagens por satélite para veículos pesados. O projeto, que arrancará em julho de 2026, tem a duração de 10 anos e pode ser renovado por mais dois períodos de um ano. Segundo o ECO, este contrato supera os 200 milhões de euros.
Eduardo Ramos, CEO da Via Verde, explicou numa entrevista ao mesmo jornal que a internacionalização torna a empresa “diferente”. O crescimento internacional, afirmou, vai levar a empresa a “crescimentos superiores” porque está a acrescentar perímetro às operações.
Axxès mantém operação independente
Agora, em França, e com todas as condições de conclusão cumpridas, incluindo aprovações regulatórias, a Axxès continuará a operar sob a sua marca, gestão e enquadramento regulatório. Eduardo Ramos assumirá o cargo de chairman da Axxès. Frédéric Lepeintre mantém-se como presidente e CEO da empresa francesa. Pedro Mourisca, administrador da Via Verde, foi nomeado administrador executivo e CFO da Axxès.
Entre os acionistas da empresa francesa estão a Vinci Autoroutes, o grupo Eiffage e as sociedades que gerem os túneis de Fréjus e Mont Blanc. O Grupo Brisa já tinha duas empresas operacionais nos Países Baixos. Com esta aquisição, reforça a carteira internacional e consolida a presença da Via Verde no segmento de veículos pesados na Europa.
Em Portugal, a Via Verde mantém uma base significativa de utilizadores: em 2023, estavam registados 4,9 milhões de veículos com identificador ativo e foram processadas cerca de 410 mil transações nesse mesmo ano, segundo dados disponibilizados pela própria empresa.
E a concorrência europeia?
No panorama europeu, a Via Verde compete com vários operadores que já garantem cobertura internacional de portagens eletrónicas. Entre os mais conhecidos está Telepass, utilizada de forma extensiva nas autoestradas italianas. A empresa tem um plano destinado a veículos ligeiros que permite pagar, com um único dispositivo, portagens de autoestrada, parques de estacionamento aderentes em Itália, França, Espanha, Portugal e Croácia.
Outros operadores europeus ligados serviço eletrónico europeu de portagem, como a Toll4Europe, a DKV Euro Service ou a Eurowag, oferecem serviços semelhantes aos da Axxès, com dispositivos que funcionam em vários países e garantem a interoperabilidade entre diferentes redes de portagens.
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