Voltar | Empresas

Como escalar o empreendedorismo fora de Lisboa? Cinco fundadores respondem

por Gabriel Lagoa | 22 de Abril, 2026

Cinco fundadores de startups explicam o que falta para que a inovação em Portugal deixe de estar concentrada em Lisboa.

Lisboa continua a ser o centro de gravidade do empreendedorismo em Portugal. A maior parte dos eventos, aceleradoras e sedes de grandes empresas tecnológicas está na capital e toda a gente no setor sabe disso. A questão que se coloca é outra: e o resto do país? Foi a isso que responderam cinco fundadores vindos de Leiria, do Porto e de Lisboa. Todos convergem num ponto: descentralizar a inovação é uma questão de resiliência.

Pessoas antes de escritórios

João Rodrigues, CEO da Cyango, empresa sediada em Leiria, vai direto ao ponto: “Para criar polos de inovação competitivos noutras regiões, são necessárias principalmente pessoas.” Na sua leitura, uma ou duas pessoas locais com capacidade de dinamização conseguem construir uma comunidade e é essa comunidade que depois justifica o investimento em infraestrutura. O Fundão é, para o responsável, o modelo a seguir, pois vai além dos escritórios e oferece apoio ao alojamento, passes urbanos e condições concretas para quem decide instalar-se.

Fabiano Cruz, cofundador e CEO da AENVO, também de Leiria, estrutura a mesma ideia em três pilares: uma âncora de conhecimento e talento, com universidades, politécnicos e centros de I&D, uma governança em consórcio entre empresas, academia e autarquias, e uma especialização do território. “Leiria aparece hoje em grande destaque nos rankings, atrás apenas de Lisboa e Porto”, diz. A Startup Leiria, que acompanha entre 150 e 170 empresas com um volume de negócios conjunto perto de uma centena de milhões de euros, é o exemplo que cita para ilustrar o que um hub regional pode fazer.

Mafalda Ricca, CEO da Vizitar, no Porto, acrescenta uma camada que tende a ficar de fora desta conversa: a ambição. “Estes ecossistemas locais têm de manter sempre um pensamento global desde o primeiro dia”, defende. Para a fundadora, o Porto tem uma relação mais próxima com o seu ecossistema e menos “ruído empresarial” do que a capital portuguesa. A Vizitar, startup que trabalha com património cultural, cresceu fora de Lisboa sem que isso fosse um obstáculo, pois “somos uma startup que nasceu para o mundo e as questões regionais tornam-se menos relevantes quando temos o ‘mundo lá fora’”, remata Mafalda.

O que dizem os que ficaram em Lisboa?

Nuno Fernandes, CEO da DIG-IN, e João Silva Santos, da MERYTU, ambos sediados em Lisboa, reconhecem o valor da descentralização mesmo do lado de quem está na capital. Nuno Fernandes fala em “hubs de conhecimento único e talento local especializado” como vantagem estratégica para qualquer empresa. João Silva Santos vai mais longe e aponta três eixos: digitalização total do Estado, lideranças com experiência de empreendedorismo nos hubs regionais e uma comunicação que “combata o magnetismo da capital”.

Tens uma startup ou PME? Estamos a dar visibilidade a projetos inovadores nas nossas plataformas até 31 de maio. Se queres que o teu pitch chegue a mais pessoas, ainda há tempo. Sabe como participar.