As agências ainda trabalham entre PDFs e emails. A Ghloria quer mudar isso
por Marta Amaral | 14 de Agosto, 2026
A Ghloria criou uma plataforma que reúne clientes, propostas, fornecedores e operações num único sistema.
Já está a ser testada por dez agências e prepara uma ronda de investimento para reforçar a equipa.
Para preparar uma viagem, um consultor pode ter de cruzar emails, documentos em PDF, folhas de cálculo, sistemas de reservas e mensagens de fornecedores. Foi para reduzir esta fragmentação que Manuel Cardoso Amaral e Francisco Belo criaram a Ghloria, uma startup portuguesa que está a desenvolver um sistema operativo para agências de viagens.
O resultado pode parecer simples para o cliente, mas existe muito trabalho invisível por trás. À medida que uma agência cresce ou as viagens se tornam mais complexas, é cada vez mais difícil gerir a operação através de ferramentas que não comunicam entre si, explica Manuel Cardoso Amaral, cofundador e CEO da Ghloria.
A plataforma reúne clientes, viagens, fornecedores, propostas e tarefas operacionais. Não pretende substituir os CRM, motores de reservas ou ERP já utilizados pelas agências, mas ligar a informação que circula entre estas ferramentas.
Quando uma agência recebe um PDF com hotéis, voos, atividades, preços e condições, por exemplo, a Ghloria consegue extrair os dados e organizá-los numa estrutura que pode ser revista pelo consultor. A informação é utilizada para criar a proposta e permanece associada à viagem nas fases seguintes.
Uma proposta não deveria ser apenas um PowerPoint enviado ao cliente e que fica desatualizado quando alguma coisa muda. Deve fazer parte do registo operacional da viagem, defende Manuel Cardoso Amaral.
A inteligência artificial é usada sobretudo para processar informação não estruturada, como emails, cotações e documentos de fornecedores. O sistema identifica datas, alojamentos, voos, preços e condições comerciais, mas mantém a decisão nas mãos dos profissionais.
A máquina deve fazer o trabalho de leitura, transcrição e organização; o consultor deve continuar a decidir, resume o cofundador.
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Dez agências estão a testar a plataforma
A Ghloria encontra-se em acesso antecipado e está a ser utilizada por dez agências. A empresa também está a trabalhar com a Go4Travel, um consórcio português com 44 acionistas, para identificar os pontos da operação onde a tecnologia pode ter maior impacto.
Embora ainda não divulgue métricas agregadas, a startup já identifica uma redução do trabalho manual na preparação das propostas. Quer agora medir efeitos como a diminuição de erros e a facilidade com que outro profissional consegue assumir uma viagem sem começar do zero.
A plataforma funcionará através de uma subscrição SaaS, ajustada à dimensão e ao tipo de operação de cada agência. Nesta fase, dirige-se sobretudo a empresas que organizam viagens complexas, trabalham com vários fornecedores e ainda dependem de processos manuais.
Portugal será o primeiro mercado. Espanha deverá ser o passo seguinte, seguindo-se países como o Reino Unido e França. A empresa também está a preparar uma ronda de investimento para reforçar as áreas de produto, engenharia e vendas.
Não queremos confundir expansão geográfica com progresso. Antes de entrar em muitos mercados, temos de provar que conseguimos implementar a Ghloria de forma consistente e gerar valor rapidamente para cada nova agência, afirma o CEO.