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BHOUT cresce 197% e avança para mercado norte-americano em 2026

por Gabriel Lagoa | 15 de Dezembro, 2025

A startup portuguesa de fitness tecnológico fecha o ano com seis clubes, três mil membros e negociações em curso com vários países.

A BHOUT encerra 2025 com números que marcam uma viragem na sua trajetória. A startup portuguesa, que combina boxe com videojogos através de tecnologia própria, registou um aumento de 197% na receita do terceiro trimestre comparado com o mesmo período do ano anterior. A operação conta agora com seis clubes espalhados pelo país e uma base de mais de três mil membros.

O que começou como um único espaço em 2021 transformou-se numa rede que inclui Almada, Avenida de Roma, Laranjeiras, Miraflores, Odivelas e Porto-Bessa. As sessões semanais ultrapassam as 300, e o conceito parece ter encontrado público tanto entre quem já praticava desporto como entre quem procura alternativas aos ginásios tradicionais.

A empresa registou um Net Promoter Score de 93,3% no último trimestre do ano. Este indicador, que mede a satisfação e a probabilidade de recomendação por parte dos utilizadores, coloca a marca acima dos valores de referência do setor, que oscilam entre 39 e 71 pontos nas operações com melhor desempenho a nível internacional, segundo a BHOUT.

O equipamento central da operação é o BHOUT Bag, um saco de boxe equipado com sensores que regista dados durante o treino. A app da marca funciona como centro de controlo: permite reservar sessões, consultar métricas de desempenho e até abrir cacifos. A integração de compras e subscrições diretamente na aplicação está prevista para breve.

Equipa duplica e fábrica arranca em Leiria

A estrutura da empresa cresceu 100% face a 2024, com reforços nas áreas de produção, logística, engenharia e finanças. O arranque da construção de uma fábrica em Leiria representa outro passo na estratégia de expansão, com o objectivo de responder ao aumento da procura e facilitar o acesso a mercados internacionais.

A internacionalização está, de facto, no centro dos planos para 2026. O primeiro clube fora de Portugal está a ser construído em Boston, nos Estados Unidos. Paralelamente, a BHOUT está a finalizar negociações com operadores em Espanha, Brasil, México, Argentina, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Embora nem todos os projetos estejam fechados, o interesse demonstrado por estes mercados “reflete o interesse global por soluções de fitness inteligente e pelo conceito de exergaming [videojogos que exigem movimento físico para interação] que a BHOUT tem vindo a consolidar”, diz a empresa em comunicado.

“Crescemos em produto, tecnologia, equipa e presença global, e hoje sabemos melhor quem somos e o impacto que queremos ter no mundo”, explica Mauro Frota, CEO da BHOUT.

Versão empresarial e torneios no horizonte

Para 2026, a empresa prepara-se para lançar uma versão B2B do BHOUT Bag, desenhada para cadeias de ginásios, hotéis e espaços corporativos. De acordo com a marca, o interesse de potenciais clientes empresariais já gerou um pipeline de oportunidades que ultrapassa os 100 milhões de euros.

A entrada no universo dos eSports está também agendada. Os BHOUT Games, o primeiro torneio da marca, vão aproximar o conceito de exergaming do mundo competitivo, cruzando desporto, tecnologia e entretenimento.

A marca quer ainda reforçar o programa de embaixadores, que ganhou força este ano, e desenvolver iniciativas que consolidem a comunidade em torno do conceito.

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