Voltar | Empresas

A Byte2Bit quer fazer caber mais informação em menos espaço

por Gabriel Lagoa | 21 de Julho, 2026

A Byte2Bit comprime dados científicos sem perder informação. As poupanças podem chegar a 50 mil dólares por ano.

Guardar dados nunca não é propriamente barato. Com a explosão da inteligência artificial e dos modelos climáticos, organizações de todo o mundo acumulam centenas de terabytes de informação científica e numérica, e a fatura do armazenamento não para de crescer. É precisamente aqui que entra a Byte2Bit, uma startup sediada em Aarhus, na Dinamarca, com um produto simples de explicar: comprimir grandes volumes de dados científicos sem perder uma única informação no processo.

Esta abordagem, chamada compressão lossless, não é nova. O que é novo é aplicá-la especificamente aos formatos científicos que dominam arquivos de satélites, previsões meteorológicas e modelos climáticos, onde até agora o padrão era aceitar alguma perda de dados. E em certos contextos, isso não é uma opção. “Há clientes cuja margem de erro tem que ser 0,1 graus. Não podem falhar nas previsões”, explica João Costa, Business Developer da empresa. 

Um produto que já tem validação

O produto principal da Byte2Bit chama-se Atlas. Os primeiros testes com a InCommodities, empresa dinamarquesa de trading de energia, mostram resultados de cerca de 20% de compressão, com velocidades de descompressão superiores. Para uma organização com 500 TB de dados, isso traduz-se numa poupança de aproximadamente 50 mil dólares por ano em custos de armazenamento, segundo a empresa. 

Newsletter The Next Big Idea

À procura de novas ideias? Recebe as melhores histórias de inovação no teu e-mail.

Mas vender poupança não é tão simples quanto parece. “A maior dificuldade é meter o pé dentro da porta”, admite João. A solução encontrada passa por não tocar na infraestrutura existente dos clientes. O Atlas integra-se na cadeia de processos sem obrigar a reestruturações, e os testes são feitos com dados da própria empresa. Quanto à IA generativa, que está a criar uma nova categoria de dados massivos, a Byte2Bit já está a trabalhar numa solução específica, desenvolvida em conjunto com clientes.

De Famalicão para Aarhus, pelo work-life balance

João Costa chegou à Dinamarca em agosto do ano passado. Não foi uma fuga de Portugal por razões profissionais, foi uma escolha de vida. “Queria ter a experiência de morar num país nórdico, porque são sempre vistos como uma referência em termos de felicidade e de work-life balance. Acho que é uma experiência que muita gente deveria ter, nem que fosse por um ano”, diz o Business Developer.

O que encontrou foi um mercado de trabalho onde o networking é a chave de entrada, mas onde esse networking é genuinamente útil. “Em Portugal trocas o LinkedIn e fica-se por aí. Aqui, se a pessoa sabe que estás à procura de trabalho, está constantemente a mandar-te oportunidades.” E o ritmo é diferente: dias de trabalho que terminam às quatro, e as últimas sextas-feiras do mês com jogos e cerveja no escritório, conta o responsável. 

Aarhus, diz, está cheia de portugueses que ele só conheceu depois de lá chegar. E está também cheia de empresas tecnológicas e de energias renováveis, o que a torna, na sua opinião, um destino que faz todo o sentido para quem trabalha em tecnologia, e que ainda está por descobrir.