Voltar | Educação Dossier: The Next Big Idea nas Universidades

Universidade de Lisboa lidera colaboração científica com empresas em Portugal

por Inês de Almeida Fernandes | 29 de Outubro, 2026

A Universidade de Lisboa ocupa o primeiro lugar nacional no Industry Collaboration Index 2026, com 1097 publicações científicas em coautoria com empresas entre 2021 e 2025.

A ligação entre universidades e empresas é uma das formas de aproximar a investigação científica dos desafios do mundo empresarial. A Universidade de Lisboa (ULisboa), tem vindo a desenvolver esse trabalho e ocupa agora o primeiro lugar em Portugal no Industry Collaboration Index (ICI) 2026, da Global Research Partnerships.

O ranking avalia a colaboração entre instituições de ensino superior e empresas através da produção científica conjunta e das relações de investigação documentadas. A nível internacional, a ULisboa ocupa a posição 275 entre 1038 instituições avaliadas, enquanto no contexto europeu surge em 119.º lugar, entre 388 universidades.


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Entre 2021 e 2025, a universidade registou 1097 publicações científicas em coautoria com empresas. Das 544 entidades empresariais envolvidas, 187 colaboraram com a instituição em pelo menos dois trabalhos e 44 mantiveram relações consistentes ao longo do período analisado.

A diversidade das parcerias coloca a ULisboa no percentil 89, enquanto a dimensão da rede de colaboração empresarial a posiciona no percentil 79.

Da indústria farmacêutica à energia limpa

Entre as empresas com maior número de trabalhos científicos conjuntos estão as portuguesas Bial, Hovione, PLUX, Terraprima e NZYTech, assim como os grupos internacionais AstraZeneca, Pfizer, Novartis e Johnson & Johnson.

Cerca de 24% dos trabalhos envolvem organizações sediadas em Portugal, refletindo a ligação da universidade ao tecido empresarial nacional.

Os projetos desenvolvidos em colaboração com empresas abrangem áreas distintas, desde o estudo da doença de Huntington à produção de hidrogénio a partir de energia eólica offshore. A investigação inclui ainda temas como a gestão térmica de aeronaves híbridas e a previsão do consumo de eletricidade.

O índice destaca também a presença da ULisboa em áreas estratégicas. Em clima, ambiente e sustentabilidade, a universidade ocupa a posição 99 entre 373 instituições avaliadas. Na transição para energias limpas, surge em 136.º lugar entre 295 instituições, enquanto na agricultura e tecnologia alimentar ocupa a posição 112 entre 194.

Na área da saúde, a colaboração científica inclui 128 trabalhos sobre indústria farmacêutica e terapêutica e 35 sobre tecnologia médica e saúde digital, além de projetos noutros domínios da biotecnologia e das ciências da vida.

Para Luís Ferreira, reitor da ULisboa, os resultados estão alinhados com a estratégia da instituição para “reforçar a inovação, a valorização do conhecimento e o impacto da investigação”. O responsável sublinha que a colaboração com empresas permite identificar desafios comuns, desenvolver projetos conjuntos e formar recursos humanos, aproximando a produção científica dos contextos em que pode ser aplicada.

Já o índice identifica ainda oportunidades para intensificar relações e consolidar colaborações duradouras, com o objetivo de reforçar a passagem dos resultados da investigação à sua aplicação económica e social.