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Universidade de Lisboa quer pôr a ciência a resolver a crise da água

por Marta Amaral | 14 de Julho, 2026

A Universidade de Lisboa lançou o Colégio da Água, uma nova plataforma interdisciplinar criada para acelerar o desenvolvimento de soluções para alguns dos principais desafios relacionados com os recursos hídricos.

A iniciativa integra o projeto WISE – Water Innovation, Science and Education, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian com cerca de 900 mil euros até 2029, e pretende aproximar investigação científica, inovação, empreendedorismo, empresas e formação avançada para transformar conhecimento em soluções com impacto real.

Segundo Cecília Rodrigues, vice-reitora da Universidade de Lisboa, o Colégio da Água nasce para responder a um problema que exige uma abordagem multidisciplinar. “O Colégio da Água nasce para quebrar o trabalho em silos. É uma estrutura transversal da Universidade de Lisboa que junta investigadores, docentes, estudantes, empresas e entidades públicas de diversas áreas, todos a trabalhar à volta de um único tema: a água.”

Para a responsável, o momento é particularmente crítico. “Já não há tempo a perder. As secas estão mais severas, a escassez de água é real, os ecossistemas estão sob pressão, e isto já não é apenas um problema ambiental. Afeta a agricultura, a energia, a indústria e a forma como vivemos”, afirma, sublinhando que “nenhuma escola, nenhuma disciplina sozinha resolve este desafio”.

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O projeto assenta em três pilares: o desenvolvimento de provas de conceito em contexto real, a incubação e aceleração de tecnologias e startups dedicadas ao setor da água e a criação de programas de formação para estudantes e profissionais. Entre as áreas de maior aposta estão a inteligência artificial, a robótica autónoma e a monitorização inteligente dos recursos hídricos.

“A inteligência artificial pode prever secas e cheias antes de acontecerem, otimizar a distribuição de água nas redes, detetar fugas mais cedo e até usar robótica autónoma para ajudar a recuperar ecossistemas marinhos e de água doce”, destaca Cecília Rodrigues.

Até 2029, o Colégio da Água pretende lançar projetos de prova de conceito, reforçar a colaboração entre universidade, empresas e setor público e apoiar a criação de novas startups. “O que realmente lançámos vai além dos números: é um compromisso. A Universidade de Lisboa quer estar na linha da frente de um dos desafios mais urgentes do nosso século”, conclui a vice-reitora.