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Quem é John Ternus, o próximo CEO da Apple?

por Gabriel Lagoa | 21 de Abril, 2026

John Ternus, 51 anos, toma o lugar de Tim Cook a 1 de setembro. Engenheiro de formação, passou a carreira a fazer hardware na Apple.

A Apple anunciou na segunda-feira que Tim Cook vai deixar a presidência executiva a 1 de setembro. O seu substituto é John Ternus, atual vice-presidente sénior de engenharia de hardware, o homem que, durante anos, esteve por detrás dos produtos Apple sem que a maioria das pessoas soubesse o seu nome.

Ternus tem 51 anos e, conta o TechCrunch, entrou na Apple em 2001, ainda com pouco mais de vinte. Foi o segundo emprego da sua vida. O primeiro foi numa pequena empresa de dispositivos de realidade virtual chamada Virtual Research Systems, depois de se ter formado em engenharia mecânica na Universidade da Pensilvânia. Fez parte da equipa de atletismo da faculdade (natação) e, no projeto final de curso, criou um braço mecânico controlado por movimentos de cabeça para pessoas com tetraplegia.

Em 2013 tornou-se vice-presidente de engenharia de hardware. Em 2021, quando o seu antecessor Dan Riccio foi colocado a liderar o projeto Vision Pro, Ternus foi promovido a vice-presidente sénior, tornando-se, na altura, o membro mais jovem da equipa executiva da Apple.

O que fez na Apple?

Segundo um comunicado da empresa, Ternus esteve envolvido no desenvolvimento dos AirPods, do Apple Watch, da transição dos chips Intel para o Apple Silicon e de várias gerações do iPhone. Mais recentemente, foi responsável pelo MacBook Neo, um portátil mais acessível que usa um chip de iPhone para baixar o custo.

A Apple atribui-lhe ainda um foco em durabilidade e reparabilidade: a empresa diz que Ternus introduziu novos materiais e técnicas de fabrico que reduziram a pegada de carbono dos produtos e tornaram vários dispositivos mais fáceis de reparar.

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Numa palestra na Universidade da Pensilvânia em 2024, citada pelo TechCrunch, o executivo contou uma história do início da carreira: “A certa altura, no meu primeiro ano, estava nas instalações de um fornecedor. Estava longe de casa. Já muito depois da meia-noite, estava a usar uma lupa para contar as ranhuras na cabeça de um parafuso… e estava a discutir com o fornecedor porque essas peças tinham 35 ranhuras. Deviam ter 25”, recordou John Ternus no seu discurso de finalistas. “Lembro-me perfeitamente de ter dado um passo atrás por um momento e pensar: ‘O que é que estou eu aqui a fazer? Isto é normal?'” Anos depois, a resposta, na Apple, é sim.

Que desafios esperam o próximo CEO da Apple?

O cenário não é simples. De acordo com a Axios, a Apple chegou tarde à corrida da inteligência artificial, com funcionalidades do Apple Intelligence repetidamente adiadas. A Siri melhorada, uma das promessas centrais de 2024, ainda não chegou. A empresa fechou um acordo com a Google para aceder aos modelos Gemini, o que diz tudo sobre o estado das suas capacidades próprias nesta área.

O Vision Pro continua à venda, mas a preços que poucos estão dispostos a pagar, diz o jornal digital. E o próximo grande produto de hardware ainda é uma incógnita. Entretanto. A OpenAI comprou a empresa do antigo designer do iPhone Jony Ive por 6,5 mil milhões de dólares, e tanto a Meta como a Google apostam forte em óculos inteligentes e headsets de realidade mista.

Tim Cook sai com uma empresa avaliada em quatro biliões de dólares e receitas anuais quatro vezes superiores às que herdou. A plataforma é sólida. A questão que o responsável terá de responder é outra: o que vem a seguir?

Sobre o sucessor, Tim Cook afirma que tem “a mente de um engenheiro, a alma de um inovador”. John Ternus, por sua vez, prometeu liderar “com os valores e a visão que definem este lugar especial [Apple] há meio século”.

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