Escassez de mão de obra acelera adoção de robôs humanoides até 2030
por Marta Amaral | 23 de Abril, 2026
Impulsionados pelo envelhecimento demográfico, estes robôs poderão atingir capacidades semelhantes às humanas e ganhar relevância em setores-chave da economia.
Até 2030 os robôs humanoides poderão aproximar-se das capacidades humanas ao nível da inteligência, perceção e destreza, começando gradualmente a integrar o mercado de trabalho, segundo o novo estudo da Bain & Company, “Humanoid Robots: How Early Commercial Exploration Can Lead to Large-Scale Use”.
O envelhecimento demográfico – particularmente relevante em Portugal, um dos países mais envelhecidos da UE, com o índice de envelhecimento a atingir 192,4 idosos por cada 100 jovens em 2024, de acordo com dados do INE – deverá agravar a escassez de mão de obra, funcionando como um dos principais motores para a adoção desta tecnologia em setores-chave da economia.
Assim, na próxima década, os robôs humanoides passarão da fase de exploração para a adoção em larga escala, impulsionados também pela redução gradual dos custos e a maturação tecnológica. Neste contexto, a Bain antecipa três fases de adoção:
- Primeira fase: implementação inicial em ambientes industriais como os setores automóvel e mineiro, onde o retorno do investimento é mais imediato e mensurável;
- Segunda fase: expansão para os setores da construção, cuidados de saúde e serviços industriais;
- Terceira fase: consolidação em contextos comerciais e de consumo, incluindo limpeza profissional e doméstica, hotelaria, educação e turismo.

Investimento acelera, mas adoção em larga escala ainda enfrenta desafios
O investimento global em empresas de robótica mais do que triplicou entre 2020 e 2024, passando de 308 milhões para 1,1 mil milhões de dólares, refletindo o crescente interesse neste setor.
Apesar deste crescimento, a adoção em larga escala dependerá sobretudo de dois fatores: os avanços na chamada “inteligência física”, isto é, a capacidade de um robô perceber, compreender e atuar no mundo real; e a evolução da tecnologia de suporte, a par do aumento da confiança por parte dos utilizadores.
“Estamos perante um avanço tecnológico significativo na robótica, mas a maturidade do mercado dependerá de um retorno claro do investimento e de uma maior aceitação do risco por parte dos utilizadores. (…) Questões como segurança e privacidade serão determinantes à medida que esta tecnologia ganha escala”, afirma Álvaro Pires, partner da Bain.
A Bain conclui ainda que, no futuro, poderá ainda emergir um modelo híbrido, que poderá esbater a distinção entre robôs humanoides e sistemas automatizados tradicionais. Enquanto os primeiros executarão fluxos de trabalho altamente repetitivos, os segundos realizarão tarefas específicas.
Neste contexto, os robôs tenderão a complementar o trabalho humano, assumindo tarefas repetitivas ou de maior risco, enquanto os seres humanos se vão focar cada vez mais em funções de supervisão, planeamento e tomada de decisão.
A adoção desta tecnologia poderá tornar-se um fator crítico de competitividade para economias europeias, incluindo Portugal.
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