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Musk está a construir um império de inteligência artificial (e há provas)

por Marta Amaral | 24 de Abril, 2026

A SpaceX e a Tesla deram esta semana dois passos que caminham lado a lado na corrida à inteligência artificial (IA).

Em conjunto, revelam uma estratégia clara do homem mais rico do mundo: controlar toda a cadeia de valor da IA, do hardware ao software.

  • De um lado, a SpaceX: vai avançar com a compra da startup Cursor por cerca de 55 mil milhões de euros ou, em alternativa, avançar com uma parceria de cerca de 9 mil milhões de euros. A empresa procura reforçar a sua posição no mercado das ferramentas de inteligência artificial para programadores, um dos segmentos onde a adoção tem sido mais rápida. 

Porquê esta escolha? A Cursor tem ganho destaque precisamente por automatizar tarefas de programação através de IA, à semelhança de outras empresas de Silicon Valley como a OpenAI e a Anthropic, que conseguiram atrair uma nova vaga de programadores.

Por que é importante: o acordo poderá dar à xAI (responsável pelo chatbot Grok) uma posição mais forte neste mercado, onde tem ficado atrás da concorrência. Ao mesmo tempo, oferece à Cursor acesso a uma capacidade computacional muito superior, nomeadamente através do supercomputador Colossus, permitindo acelerar o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.

  • Do outro lado, a Tesla: a empresa (do mesmo dono) revelou de forma discreta, a aquisição de uma empresa desconhecida de hardware de IA por até 1,8 mil milhões de euros. Sem divulgar o nome ou a tecnologia da empresa, o movimento levanta questões, mas encaixa nesta tendência de reforçar a infraestrutura necessária para sustentar o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.

A estratégia: a empresa prevê investir cerca de 23 mil milhões de euros este ano, com grande parte desse montante direcionado para capacidade de computação, desenvolvimento de semicondutores e centros de dados. Segundo Elon Musk, esta base tecnológica será essencial para suportar áreas como a condução autónoma, os robotáxis e a robótica, pilares da evolução da Tesla para além do negócio automóvel tradicional.

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O trabalho em equipa: as duas operações revelam uma lógica de integração vertical. A SpaceX e a xAI posicionam-se no desenvolvimento de modelos, software e aplicações, enquanto a Tesla consolida o controlo sobre o hardware, os chips e a infraestrutura.

O objetivo: reduzir a dependência de fornecedores externos e construir um ecossistema próprio, onde hardware e software evoluem de forma coordenada.

  • O que é que isto revela sobre o caminho das empresas? Trata-se de uma transformação estrutural. A Tesla está a afastar-se de um modelo assente na venda de automóveis, tipicamente com margens reduzidas, para apostar em software e serviços de maior valor. A SpaceX, por sua vez, reforça a sua ambição de ir além do setor espacial, posicionando-se como um player relevante no desenvolvimento de inteligência artificial.

Musk em todas as frentes: ao investir simultaneamente em hardware, infraestrutura, modelos e aplicações, está a construir um sistema integrado que poucos conseguem replicar. Se a estratégia resultar, poderá colocar as suas empresas numa posição única num dos mercados mais competitivos da atualidade.