Uma das maiores rondas europeias reforça Sines como centro de IA
por Marta Amaral | 10 de Março, 2026
Para Portugal, a Nscale é a empresa que escolheu Sines para instalar 12 600 chips de inteligência artificial da Nvidia, para servir a Microsoft.
A startup britânica levantou 2 mil milhões de dólares (1,84 mil milhões de euros) e vale agora cerca de 12,5 mil milhões de euros. A operação, descrita como “a maior da história na europa”, foi liderada pelo grupo industrial norueguês Aker ASA e pela capital de risco 8090 Industries, contando também com a participação de investidores como a Nvidia, Nokia e Lenovo.
Fundada em 2024 por Josh Payne, a Nscale desenvolve e opera infraestruturas de computação e centros de dados concebidos para aplicações de inteligência artificial, fornecendo capacidade de processamento com GPUs (chips de IA), redes e software para empresas que treinam e executam modelos de IA em grande escala.
O investimento surge numa altura em que a procura por infraestruturas para inteligência artificial está a crescer rapidamente, impulsionada pela necessidade de servidores e energia para treinar e operar modelos cada vez mais avançados. Segundo a empresa, o novo financiamento vai permitir acelerar a expansão global da sua infraestrutura de IA, incluindo capacidade de computação, redes, serviços de dados e software de gestão de sistemas, na Europa, América do Norte e Ásia.
Portugal como centro da nova infraestrutura global de IA
Uma parte dessa expansão passa também por Portugal, e não de forma discreta. Desde outubro, a Nscale tornou-se um nome conhecido no país após o anúncio da implementação de 12 600 semicondutores da Nvidia no megacentro de dados em Sines, são chips concebidos especificamente para treinar e executar modelos de inteligência artificial em grande escala. A capacidade de computação resultante, com arranque previsto para o primeiro trimestre de 2026, ficará ao serviço da Microsoft. A dona do Windows quantificou um investimento no nosso país de cerca de 8,6 mil milhões de euros.
O projeto insere-se no Sines Data Campus, liderado pela Start Campus, que já esgotou a capacidade do seu primeiro edifício e prepara uma expansão de grande escala. O campus prevê centros de dados com capacidade total até 1,2 gigawatts, um dos maiores projetos do género na Europa, com conclusão prevista para 2030.
“Portugal já vence outros países europeus na corrida da inteligência artificial”
CEO da Start Campus acredita que Portugal pode tornar-se um dos principais pontos de ancoragem da nova infraestrutura global de IA, sustentado por energia renovável, conectividade internacional e talento local que o colocam à frente de outros países europeus.
Em entrevista ao The Next Big Idea, Robert Dunn, CEO da Start Campus, explicou que a localização de Portugal oferece vantagens estratégicas para este tipo de infraestrutura. A proximidade de cabos submarinos internacionais liga o país diretamente à América do Norte, América do Sul e África, enquanto a elevada produção de energia renovável, que já ultrapassa 70% do mix energético nacional, ajuda a alimentar centros de dados de grande escala com custos relativamente competitivos na Europa.
Para o responsável, projetos como o acordo entre a Nscale, a Nvidia e a Microsoft são também uma forma de reforçar a autonomia tecnológica europeia.
O objetivo é trazer grandes implementações de GPUs para Portugal e para a Europa, permitindo que empresas europeias possam competir com o que está a acontecer nos Estados Unidos”, afirmou Robert Dunn.
Um estudo da Copenhagen Economics, encomendado pela Start Campus, estima que o investimento em centros de dados em Portugal poderá contribuir com cerca de 26 mil milhões de euros para o PIB nacional até 2030, o equivalente a cerca de 1% anual.
Para sustentar o investimento anunciado esta semana, a Nscale anunciou também mudanças no conselho de administração, com a entrada de Sheryl Sandberg, antiga diretora de operações da Meta, Susan Decker, ex-presidente da Yahoo, e Nick Clegg, antigo vice-primeiro-ministro do Reino Unido e ex-responsável de assuntos globais da Meta.
Além disso, a empresa vai integrar totalmente na sua estrutura a joint venture criada com a Aker no ano passado, que estava a desenvolver projetos de centros de dados na Noruega, centralizando assim a execução e gestão dessas infraestruturas.