Tensões no Médio Oriente fazem aumentar procura de seguros de viagem
por Gabriel Lagoa | 8 de Abril, 2026
Com o conflito entre os EUA, Israel e o Irão a reconfigurar o mapa de risco global, os viajantes chegam ao balcão com mais perguntas e mais cautela.
Desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques militares ao Irão, em fevereiro, Irão retaliou com ataques a instalações militares norte-americanas na região, a Israel e a infraestruturas energéticas e civis nos estados do Golfo. O Estreito de Ormuz foi encerrado ao tráfego comercial, o que perturbou as rotas de aviação e empurrou os preços globais do petróleo para cima. O impacto chegou depressa às agências de viagem e ao mercado dos seguros.
André Souto, Sales Manager da SGS Seguros, nota que a mudança não é tanto de volume, mas de qualidade da procura. “Mais do que um aumento da procura, temos assistido a uma maior qualificação e consciência dos viajantes sobre a importância dos seguros de viagem de uma forma geral”, afirma. Para o responsável, este é o resultado de anos de turbulência acumulada: “Nos últimos anos o mundo tem demonstrado a sua vulnerabilidade. É importante relembrar que há seis anos estávamos a atravessar uma pandemia mundial e desde aí tivemos uma série de acontecimentos desde cataclismos naturais, guerras, golpes de estado, greves entre outros acontecimentos que tornaram o viajante mais desperto.”
A conclusão, diz, é que “nos dias de hoje o seguro efetivamente deixou de ser visto como um extra e passou a ser encarado como parte integrante e indispensável do planeamento de uma viagem.”
Preocupações com cancelamentos e assistência médica
Do lado das dúvidas mais frequentes, os clientes preocupam-se sobretudo com cancelamentos, interrupções de viagem e assistência médica. “O que temos verificado é que ainda existe algum desconhecimento sobre os limites das apólices, sobretudo no que diz respeito a exclusões”, explica André Souto. Daí que a SGS tenha apostado num papel mais pedagógico junto de agências e viajantes. “A transparência é hoje um fator crítico para garantir confiança e permitir segurança em viajar neste mundo cada vez mais global.”
À procura de boas ideias?
Começa a ler as melhores histórias de inovação diretamente no teu e-mail aqui.
Comprar uma viagem numa agência não é o mesmo que comprar online e a diferença pode ser relevante quando algo corre mal. As agências têm obrigações legais na proteção dos clientes que os canais digitais não têm, um detalhe que, segundo André Souto, “muitos ainda desconhecem”. É também por isso que a SGS afirma trabalhar de perto com operadores e agências: para que o seguro entre de forma natural na proposta de valor, e não como letra pequena no fim do contrato.
Quanto às condições do mercado segurador, o responsável de vendas reconhece alguma seletividade face ao novo contexto.“O mercado está naturalmente a ajustar-se a um contexto mais volátil”, diz, acrescentando um alerta: destinos atualmente desaconselhados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal não estão cobertos para efeitos de cancelamento ou interrupção de viagem. Uma ressalva que, neste momento, pode fazer a diferença.