Portuguesa Delox levanta 1,6 milhões de euros para crescer na Europa e EUA
por Gabriel Lagoa | 12 de Fevereiro, 2026
Tecnologia portuguesa de bio-descontaminação, que “elimina 99,9999% de microrganismos em ambientes críticos”, reforça transferência de conhecimento científico para o mercado.
A Delox, uma spin-off da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, fechou uma ronda série A de 1,6 milhões de euros para reforçar o desenvolvimento tecnológico e avançar para novos mercados internacionais. O investimento foi liderado pela Beta Capital, com participação do Banco Europeu de Investimento e da Caixa Capital.
Segundo a empresa, o financiamento será usado sobretudo para processos de certificação junto de entidades reguladoras na Europa e nos Estados Unidos, como a Agência Europeia dos Produtos Químicos e a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Parte do montante será ainda direcionada para aumentar a capacidade de produção do DeloxHP, tecnologia base que sustenta os equipamentos da empresa.
Fundada em 2018, a Delox desenvolve soluções de bio-descontaminação para ambientes considerados críticos, como hospitais, indústria farmacêutica e laboratórios científicos. O principal produto, a Delox Box, é um equipamento pensado para descontaminar instrumentos laboratoriais através de uma formulação sólida de peróxido de hidrogénio, permitindo eliminar bactérias, vírus e fungos.
Além da expansão internacional, a empresa prevê continuar a investir em investigação e desenvolvimento. Entre os projetos em curso está o Delox Air, uma solução focada na descontaminação do ar que poderá funcionar em espaços ocupados por pessoas, iniciativa apoiada pelo Conselho Europeu de Inovação.
Para os investidores, a decisão de liderar a ronda está ligada à possibilidade de aplicar a tecnologia em setores onde a descontaminação é essencial. Em comunicado, a Beta Capital refere que a proposta da empresa procura reduzir o uso de agentes químicos nocivos e tornar os processos mais eficientes em termos de tempo e recursos.
A estrutura da Delox mantém uma dimensão reduzida. A equipa conta atualmente com oito colaboradores a tempo inteiro a trabalhar nos laboratórios do Tec Labs, centro de inovação da Faculdade de Ciências. A organização inclui ainda os dois fundadores e um non executive chairman sediado nos Estados Unidos.
De acordo com o CEO, Fadhil Musa, o objetivo passa por acelerar a entrada em mercados mais regulados e ampliar a presença em áreas ligadas à saúde e à investigação científica. Já João Pires da Silva, também cofundador e professor catedrático na Faculdade de Ciências, enquadra a operação como um exemplo de transferência de conhecimento académico para aplicações comerciais.
Com esta ronda, a Delox junta-se a um conjunto crescente de spin-offs universitárias portuguesas que procuram validar tecnologia científica fora do laboratório e ganhar escala internacional. A empresa indica ainda que poderá reforçar a equipa à medida que o plano de crescimento avance, sobretudo nas áreas comerciais e de desenvolvimento tecnológico.
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