“Portugal lidera adoção de IA generativa na Europa”
por Marta Amaral | 16 de Fevereiro, 2026
Os portugueses estão a adotar mais ferramentas de inteligência artificial generativa (Gen AI) do que a média europeia.
Esta é uma das principais conclusões do “European Consumer Gen AI Sentiment & Behaviour” da Bain & Company, que analisou os níveis de adoção de IA em Portugal, Espanha, Reino Unido, França, e Alemanha no último trimestre de 2025.
Neste estudo comparativo entre cinco dos principais ecossistemas digitais, Portugal destaca-se na adoção da Gen AI, com 62% dos utilizadores a afirmarem que utiliza estas ferramentas regularmente, um valor superior à média europeia (52%).
O estudo assinala que a adoção de ferramentas Gen AI para uso pessoal na Europa aumentou significativamente nos últimos dois anos, com cerca de 68% dos inquiridos a afirmarem que já usaram ou usam atualmente estas ferramentas. Em Portugal, a percentagem de utilizadores disparou nos últimos 4 anos e o valor passou de 6% para 62%, refletindo uma rápida adoção destas tecnologias
“Este estudo mostra que Portugal é um mercado recetivo às ferramentas de Gen AI, com níveis de confiança e adoção superiores à média europeia. Os dados mostram a versatilidade de usos que estas ferramentas têm no dia-a-dia dos portugueses e como, gradualmente, começam a substituir métodos tradicionais de pesquisa, alterando os comportamentos de consumo e de acesso à informação. Esta evolução terá implicações claras na forma como as empresas portuguesas comunicam, vendem e constroem confiança junto dos consumidores”, destaca João Valadares, partner da Bain & Company.
A perceção das gerações
Na Europa, a Geração Z e os Millennials são quem mais confiam nas ferramentas de inteligência artificial generativa, contrapondo com a Geração Boomer e Silent Generation, que registam uma maior percentagem de desconfiança ao conteúdo produzido por estas ferramentas. Portugal destaca-se no estudo como o país com maior percentagem de confiança (54%), contrastando com países como Reino Unido, França ou Alemanha, com indicadores abaixo da média europeia (41%).
Relativamente às razões pelas quais 32% da média dos inquiridos europeus nunca utilizaram as ferramentas de Gen AI, destaca-se a preferência por autonomia na realização de tarefas e as preocupações quanto à privacidade dos dados, sendo transversal aos países em análise.
Em contraste, os principais motivos que levam os europeus a adotar estas ferramentas no âmbito pessoal prendem-se a com procura de novas aprendizagens, procura de eficiência e apoio ao desenvolvimento de conteúdos criativos, estando Portugal alinhado com os dados europeus.
Nesta matéria, destacam-se essencialmente o recurso a estas ferramentas para pesquisa de informação (85%), explicação de conceitos complexos (79%) e escrita (71%). Com menor expressão percentual verifica-se a utilização destas ferramentas para fomentar interações sociais como “companhia” ou “conselheiro” a nível europeu, e com a mesma expressão em Portugal (abaixo dos 30% de utilização).
O que muda nas pesquisas?
Este estudo demonstra ainda que a forma como os utilizadores europeus pesquisam informação online está a mudar progressivamente. Cerca de 6 em 10 pessoas, já não clicam em sites quando a informação que procuram surge em resumos gerados por Gen AI diretamente na página de resultados, reforçando o comportamento “zero-click”. Esta tendência tem implicações diretas para marcas, media e empresas de e-commerce, ao reduzir o tráfego direto para sites alterar a forma como os consumidores descobrem informação, produtos e serviços.
Ainda com um valor residual, 18% dos utilizadores europeus afirmam substituir os motores de pesquisa por ferramentas de Gen AI na maioria das vezes ou quase sempre. Em Portugal, 38% dos utilizadores afirmam utilizar os motores de pesquisa com maior frequência do que ferramentas de Gen AI, o que indica uma transição mais gradual neste mercado.
Na jornada do consumidor, a adoção de ferramentas de Gen AI está a consolidar-se, especialmente no que diz respeito à sua credibilidade como fonte de pesquisa, recomendações e comparações entre marcas, produtos e serviços. Os países ibéricos destacam-se neste contexto, apresentando uma margem de confiança 10 pontos percentuais acima da média de outros mercados.
“Estamos a entrar numa nova fase da transformação digital que desafia a forma como os consumidores pesquisam e descobrem informação online. Se antes as marcas competiam para aparecer no topo dos resultados de pesquisa, agora procuram relevância dentro das ferramentas de Gen AI, que fornecem informação aos utilizadores de forma rápida, concisa e personalizada”, acrescenta Leah Johns, Practice Director & Leader do Global Consumer Lab da Bain & Company.
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