O regresso da Blackberry
por Miguel Magalhães (Texto) | 13 de Abril, 2026
Na Blackberry, os telemóveis e a guerra com a Apple já são um tema do passado. Hoje, a empresa posiciona-se numa líder mundial de software para cibersegurança e… automóveis.
Em 2011, a Blackberry vendeu cerca de 52 milhões de “smartphones” no mundo inteiro. Foi este o pico da Research in Motion (RIM), dona da marca, numa altura em que já se antevia a hegemonia inevitável do iPhone e dos dispositivos Android.
O pior cenário aconteceu e, em 2013, a RIM viu o seu valor em bolsa desvalorizar cerca de 97% do máximo alcançado em junho de 2008. A empresa foi considerada a nova “Nokia” e muitos especularam não sobre se seria o fim da tecnológica, mas quando é que o mesmo chegaria.
Em 2026, a realidade é um pouco diferente.
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Uma nova “empresa”
Na última década, a RIM colocou todas as fichas para fazer uma transição do hardware para o software. Já no auge dos teclados QWERTY dos seus telefones, a área de cibersegurança era um dos pontos fortes da empresa e foi para aí que virou as suas atenções.
Em 2010, começou por comprar uma empresa “automóvel” chamada QNX Software Systems e, em 2016, ano em que parou de produzir telemóveis, utilizou o expertise combinado dos dois negócios para desenvolver soluções para comunicações seguras e para software de condução.
Em 2026, com o avanço da inteligência artificial, os setores da segurança e de condução autónoma são duas das indústrias em mais rápido desenvolvimento e a captar investimento junto de investidores e das grandes tecnológicas. Fatores que levaram a uma espécie de renascimento da empresa canadiana, agora liderada por John Giamatteo.
Um bom começo de ano
Os resultados do primeiro trimestre mostraram dois números que entusiasmam:
- 156 milhões de dólares em vendas, mais 10% comparado com o período homólogo.
- A sua divisão de software para automóveis, cresceu 20% comparado com o mesmo período do ano anterior e a Blackberry tem agora tecnologia integrada em cerca de 275 milhões de veículos.
Estes resultados são animadores para a RIM depois de ter acumulado perdas consecutivas em 2022 e 2023. Para 2027, as tecnológica estima receitas que poderão chegar aos 600 milhões de dólares.