Voltar | Ideias Dossier: Série "The Next Big Idea"

O que aprendemos com Obama no Game Changers Forum?

por Miguel Magalhães (Texto) | 19 de Outubro, 2026

“Com todo o respeito, o Presidente Obama não vai jantar convosco.” Foi esta a resposta que a agência do antigo Presidente dos EUA deu aos organizadores do Game Changers Forum. Foi também o ponto de partida para o evento que ocorreu no passado dia 10 de outubro.

Uma boa liderança faz toda a diferença no percurso de uma organização. Foi este o mote da mais recente edição do Game Changers Forum, organizado por Miguel Pina Martins, fundador da Science4U, empresa que já vende os seus produtos educativos para mais de 60 países.

A história remonta a 2019, com pequenas reuniões e jantares entre CEOs portugueses, no âmbito da rede CPO (Chief Portugal Officers). Em 2022, o grupo já tinha três anos e uma série de almoços e jantares com pessoas relevantes, mas continuava fechado. “Queríamos realmente que isto pudesse passar para mais pessoas da sociedade”, recorda Miguel Pina Martins.

Para abrir o grupo, era preciso um nome capaz de reunir toda a gente. Foi aí que surgiu o de Barack Obama, “a pessoa que nós achámos que podia ser mais unânime para unir pessoas em Portugal”. Para o fundador, o antigo Presidente representa o que os organizadores entendem por Game Changer.

A agência de Obama, porém, foi clara: ninguém que organiza jantares de 25 pessoas leva um Presidente a jantar. O conselho foi para fazerem quatro ou cinco eventos e voltarem a falar. O primeiro Game Changers realizou-se no Rock in Rio, para 150 pessoas, e seguiram-se outros. O último, na Cidadela de Cascais, reuniu 700 líderes. Três semanas depois chegou o e-mail que esperavam, a confirmar que estavam prontos para avançar.

Liderança sem fórmula

Questionado sobre o que faz um bom líder, o fundador recusa receitas. “Nós temos líderes muito bons portugueses e temos líderes muito maus portugueses, temos líderes muito maus americanos e líderes muito bons americanos.” E acrescenta que está “mais que provado que não há o chamado One Size Fits All”.

A sua aposta é “uma liderança ao serviço das pessoas”. Quando lhe perguntam quantas pessoas trabalham para si na Science4U, a resposta é outra: “eu trabalho para 300 pessoas.”

Miguel Pina Martins vê um fio condutor entre os dois projetos. Tanto a Science4U como o Game Changers são “projetos de educação”, de aprendizagem, “que levam as pessoas a conseguir ficar melhores”. Uma trabalha com a experimentação das crianças, o outro com adultos que aprendem a ouvir as experiências dos outros.

O objetivo do evento é que quem o visita possa aprender, inspirar-se e, “esperemos”, conhecer alguém relevante para a sua vida. Foi precisamente essa crença que fez nascer a iniciativa em 2019.

A ambição final é coletiva: se for possível mobilizar muita gente a fazer a diferença na rua, no bairro, na cidade e no país, “vamos criar mais empregos, vamos criar mais empresas, vamos criar mais riqueza e vamos todos ficar melhores”. “Para nós isto é ser Game Changer.”

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