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Hyrox. Como dois alemães criaram um negócio com receitas de 130 milhões de dólares

por Gabriel Lagoa | 4 de Maio, 2026

Em menos de uma década, a Hyrox passou de uma ideia de dois alemães para um circuito global com receitas de 130 milhões de dólares.

Seja através das redes sociais, de um amigo ou de um familiar, cada vez mais pessoas ouvem falar da Hyrox. Da Hyrox? Sim, é mais um daqueles fenómenos em que uma marca se torna tão dominante que o seu nome passa a designar o produto, o serviço ou a categoria inteira, à semelhança da Gillette ou da Tupperware. O Hyrox, agora não como empresa mas como desporto, é uma competição de fitness que, em menos de uma década, passou de uma ideia de dois alemães para um circuito global com milhares de atletas. 

Na prática, são oito quilómetros de corrida divididos em intervalos de um quilómetro, cada um seguido de uma estação de exercício funcional. O formato é sempre o mesmo, em qualquer cidade do mundo, o que permite comparar tempos entre atletas de países diferentes como se fosse uma liga global. Entre os exercícios que compõem a prova estão SkiErg, uma máquina que simula o movimento do esqui, Sled Push e Sled Pull, que consistem em empurrar e puxar trenós com peso.

E foi precisamente este formato que chegou, pela primeira vez, a Portugal. A edição portuguesa do Hyrox estreou-se em Lisboa no início do mês e os três dias de prova esgotaram em menos de duas semanas após a abertura das inscrições, um sinal de que o mercado nacional já estava, há algum tempo, à espera deste momento.

A edição portuguesa de Hyrox decorreu entre 1 e 3 de maio em Lisboa. Imagem: Hyrox Portugal

Escreve a CNN Portugal que a estreia reuniu 12 mil atletas, 9 mil espetadores e representantes de 100 nacionalidades, com 65% dos participantes a serem portugueses. A divisão por género ficou próxima do equilíbrio: 55% homens e 45% mulheres. Mas para perceber como se chegou aqui, é preciso recuar a 2017.

Uma empresa construída para durar

Foi nesse ano que, em Hamburgo, na Alemanha, dois homens com percursos diferentes uniram esforços. Christian Töetzke tinha uma longa carreira na organização de eventos de resistência, como triatlos Ironman. Moritz Fürste era campeão olímpico de hóquei em campo. Juntos, quiseram criar algo que fosse, ao mesmo tempo, acessível e exigente, e que desse às pessoas uma razão para treinar para além de “queimar calorias e melhorar a estética”, nas palavras do próprio Töetzke, citado pelo The Times. O resultado foi um formato padronizado que funciona como um campeonato à escala global: a prova é sempre a mesma, em qualquer arena do mundo, o que torna os resultados diretamente comparáveis.

A atleta alemã Linda Meier numa das competições de Hyrox. Imagem: Puma

Dois anos após a fundação, a empresa atraiu investimento da Infront, uma companhia suíça de marketing desportivo detida por um grupo chinês, que acabou por se tornar o único investidor em 2022, segundo o The Times. A partir daí, o crescimento não parou. Conta a Forbes Portugal que a marca conta hoje com mais de 2 milhões de atletas, cerca de 11 mil ginásios afiliados em todo o mundo e uma taxa de crescimento anual superior a 50%. Estima-se que as receitas da empresa em 2025 rondem os 130 milhões de dólares, com o número a aumentar para os 220 milhões de dólares este ano. 

Como funciona o modelo de negócio? Uma fatia da receita vem da venda de bilhetes para os eventos, complementada por parcerias com marcas como a Puma, Red Bull e MyProtein, e por programas de afiliação de ginásios. Segundo o The Times, por uma mensalidade de cerca de 100 libras (cerca de 115 euros), os ginásios podem tornar-se parceiros da marca, tendo acesso a pré-venda de bilhetes, programas de treino e o direito de promover aulas com o nome Hyrox.

O fenómeno que as redes sociais construíram

Grande parte do crescimento é, no entanto, inseparável das redes sociais. O The Times escreve que o Hyrox encontrou na Geração Z uma audiência muito recetiva, em que os tempos de prova funcionam quase como símbolos de estatuto. O próprio Christian Töetzke admite que a velocidade a que o negócio cresceu “não teria sido possível há 20 anos sem as plataformas de redes sociais”.

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No perfil de quem adere ao Hyrox encontram-se jovens e adultos entre os vinte e os quarenta anos que organizam férias em torno das competições. Escreve a britânica BBC que os participantes gastam centenas de libras por evento e acumulam provas em vários países. Uma participante entrevistada pelo canal chegou a gastar 2 mil libras numa única deslocação ao Campeonato do Mundo em Chicago. De acordo com dados da aplicação de fitness Strava citados pela estação televisiva, um terço dos jovens da Geração Z planeia gastar mais em fitness este ano, e quase dois terços preferem comprar roupa de ginásio a pagar um jantar a dois.

A procura pelos bilhetes tornou-se, ela própria, uma espécie de competição paralela. O The Times relata que um evento recente teve uma fila virtual de 25 mil pessoas no momento em que os bilhetes foram colocados à venda. Em Portugal, como já foi referido, a história não foi diferente, pois os três dias do evento de Lisboa esgotaram em apenas duas semanas. 

A Hyrox já anunciou planos de expansão até 2028, com novos mercados a entrar no calendário. Lisboa é, por agora, a paragem mais recente de um circuito que não para de crescer.

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