Existem três coisas que precisas de saber sobre o novo modelo IA da Meta
por Miguel Magalhães (Texto) | 10 de Abril, 2026
O novo modelo da Meta chama-se Muse Spark, apresentado como o mais poderoso até a data, e será integrado em todos os produtos da Big Tech.
Nem sempre é fácil estar a par de todos os modelos que surgem semana a semana, mas este é um lançamento especial. Em 2025, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, estabeleceu como missão criar a melhor equipa de IA possível de modo a poder rivalizar com empresas como a OpenAI, a Anthropic e a Google.
Os seus modelos iniciais open-source, com o nome de Llama, não estavam a ter os resultados esperados e, por isso, “Zuck” decidiu adquirir por 14,3 mil milhões de dólares a startup Scale AI e oferecer salários milionários a algumas das mentes mais brilhantes da engenharia norte-americana. O resultado foi a Meta Superintelligence Labs, liderada por Alexander Wang (ex-CEO da Scale IA), que tinha como objetivo desenvolver modelos que pudessem ser uma referência na indústria.
Em 2026, a Big Tech espera investir até 135 mil milhões de dólares neste setor e é nesse contexto que surge o lançamento do Muse Spark nos últimos dias: o primeiro de uma série de modelos que vão permitir saber se a Meta poderá ou não dar cartas na hegemonia da inteligência artificial.
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Começar devagar e expansão para redes sociais
Para já, o modelo vai ser disponibilizado no Meta AI, o ChatGPT da Meta, e irá substituir os modelos Llama nas integrações da Meta AI em aplicações como o Facebook, o Messenger, o Instagram, o Threads e o Whatsapp. No roadmap, está também a utilização deste modelo (e dos seguintes) no hardware desenvolvido pela Meta, como por exemplo a gama de óculos inteligentes. A esperança da Meta é poder criar maior tração entre a sua pool de 3,5 mil milhões de utilizadores entre todos os produtos.
O melhor e pior
Os testes de benchmark de modelos de IA mostram que o Muse Spark já está ao nível dos rivais em áreas como a linguagem e a compreensão visual, mas que está atrás no desenvolvimento de código e raciocínio abstrato. Em comunicações diferentes, Zuckerberg e Wang partilharam a mesma ideia: o objetivo passa por demonstrar os resultados já alcançados num curto espaço de tempo e ir “limando as arestas” nos modelos que se seguirem.
Um novo modelo de negócio?
No seu blog, a Meta partilhou umas das formas como os novos modelos poderão criar novos canais de receita através de um “Shopping Mode”. Ao contrário de uma pesquisa comum no Google, este modo utiliza o contexto social das redes sociais para analisar tendências e fazer recomendações de criadores ou comunidades relevantes para o teu algoritmo. Por exemplo, se fizeres um prompt para saber como decorar a tua sala, o novo modelo poderá não só devolver-te a estética que pretendes, mas já um conjunto de produtos e respetivas páginas que permitem cumprir a tua visão. Se acabares a comprar algo, a Meta recebe uma comissão.
O Muse Spark vai começar a ser implementado nos EUA e deverá chegar à Europa nas próximas semanas.