Easymap. Empresa açoriana quer reduzir em 98% o tempo de processamento de imagens de satélite
por Gabriel Lagoa | 25 de Agosto, 2026
Fundada por duas geógrafas brasileiras nos Açores, a Easymap promete simplificar o acesso a dados geoespaciais para empresas e organismos públicos.
A Easymap nasceu de uma dificuldade sentida no percurso académico das suas fundadoras: o processo de trabalhar com imagens de satélite, desde a escolha da imagem certa até ao processamento e à produção de relatórios, era, segundo Rafaela Tiengo, cofundadora e COO da empresa, “muito complexo” e “muito demorado”. A plataforma que criou junto com Jéssica Uchôa, cofundadora e CEO, propõe automatizar esse percurso do início ao fim.
Rafaela e Jéssica são geógrafas formadas no Brasil e vieram para os Açores fazer um mestrado em vulcanologia com recurso a deteção remota e imagens de satélite. Rafaela está atualmente a terminar um doutoramento na mesma área. Foi nesse contexto académico, ao lidar diariamente com a dificuldade de identificar sensores, comprar ou aceder a imagens e escolher algoritmos de processamento, que surgiu a ideia da Easymap.
Segundo Jéssica, o objetivo é “transformar a informação complexa em dados acessíveis e rápidos de se analisar por qualquer utilizador”, libertando tempo que hoje é gasto em tarefas repetitivas. A empresa diz servir sobretudo empresas de infraestruturas críticas e instituições governamentais, e afirma ter reduzido, em testes internos, até 98% o tempo de processamento de imagens face aos métodos tradicionais.
Como funciona?
Na prática, a plataforma recorre a APIs públicas e privadas para alimentar algoritmos próprios, que funcionam como uma espécie de estrutura capaz de trabalhar diferentes tipos de dados e apresentar a informação de forma simplificada ao utilizador final.
Para análises que não exigem grande resolução espacial, a Easymap recorre a dados públicos, tratados através de algoritmos desenvolvidos com base em artigos científicos e na experiência da equipa. Quando é preciso maior detalhe sobre um ponto específico, é possível comprar imagens de resolução mais elevada para complementar os dados macro já obtidos.
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Quanto ao modelo de negócio, a Easymap já participou em projetos de desenvolvimento de plataformas em regime white label. Atualmente, a empresa diz estar a construir uma plataforma própria assente num sistema de venda de créditos, consumidos consoante a utilização de cada cliente. Entre os projetos em curso está um que abrange 13 ilhas ou zonas costeiras na Europa, cada uma com desafios diferentes.
Na equipa, as tarefas dividem-se de acordo com a experiência de cada uma. Rafaela assume a gestão de projetos, o primeiro contacto com clientes, o acompanhamento dos contratos e faz a gestão da presença digital da Easymap nas redes sociais. Jéssica está mais ligada ao desenvolvimento da plataforma, de novas funcionalidades e da segurança informática.
Os Açores como ponto de partida estratégico
A elevada cobertura de nuvens no arquipélago obriga a empresa a recorrer a sensores específicos, algo que, segundo Jéssica, se tornou um desafio inicial mas também uma vantagem para desenvolver soluções aplicáveis a outras ilhas e ambientes insulares. A Easymap está incubada na inUAc, a incubadora de empresas de base tecnológica da Universidade dos Açores, desde janeiro deste ano, um apoio que Rafaela descreve como “fundamental” para o amadurecimento do projeto nos primeiros oito meses.
Para o futuro, as fundadoras dizem querer estreitar a ligação com a universidade e especializar-se em áreas mais específicas pedidas pelos clientes. Questionada sobre conselhos para outras mulheres interessadas em inteligência geoespacial, Rafaela resume: “um conselho de persistência, de muito estudo, porque a ciência é feita de persistência, de tentativa e erro”.