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Construção, comércio e turismo lideram intenções de contratação

por Marta Amaral | 10 de Março, 2026

Antes do agravamento das tensões no Médio Oriente, os empregadores portugueses entravam no segundo trimestre de 2026 com expectativas de crescimento nas contratações.

Os dados do mais recente ManpowerGroup Employment Outlook Survey, recolhidos em janeiro junto de 520 empresas, apontavam para um aumento das intenções de contratação face ao início do ano e também em comparação com o mesmo período de 2025.

Apesar de Portugal ficar ligeiramente abaixo da média global nas perspetivas de criação de emprego, o país posicionava-se ainda assim na metade superior dos mercados analisados.

Importa sublinhar que os resultados refletem um cenário anterior aos desenvolvimentos geopolíticos mais recentes e também antes das tempestades que afetaram Portugal no final de janeiro e início de fevereiro.

“Partindo de uma análise pré-conflito, os empregadores portugueses entravam no segundo trimestre do ano mais confiantes nas suas intenções de contratação, refletindo um desempenho da economia nacional acima da média da Zona Euro em 2025 e perspetivas de continuidade desse crescimento em 2026”, afirma Rui Teixeira, country manager do ManpowerGroup Portugal.

O responsável admite, no entanto, que o atual contexto internacional pode alterar o sentimento das empresas. Ainda assim, considera que muitas organizações estão hoje mais preparadas para lidar com cenários de instabilidade. “A experiência dos últimos anos, marcados por elevada volatilidade, reflete-se também numa maior capacidade das empresas para avançar mesmo em contextos complexos. Ao mesmo tempo, cresce a consciência de que a atração e fidelização de talento continuará a ser determinante para o sucesso das iniciativas de negócio”, acrescenta.

Crescimento das empresas impulsiona contratações

Entre as empresas que planeavam aumentar as suas equipas, o principal motivo apontado era o crescimento do negócio. Muitas organizações referiam também a necessidade de preencher vagas que tinham ficado em aberto em trimestres anteriores, um sinal de que a escassez de talento continua a ser um desafio no mercado de trabalho português.

Já entre as empresas que antecipavam reduzir o número de colaboradores, os fatores mais citados estavam relacionados com a diminuição da procura e com dificuldades económicas. Algumas organizações referiam ainda processos de reestruturação interna como motivo para ajustar as equipas. O impacto da automação surgia mencionado por uma fatia menor de empregadores do que no trimestre anterior.

Construção, comércio e turismo lideram intenções

As intenções de contratação eram positivas em todos os setores analisados. O maior otimismo surgia no setor da construção e imobiliário, que apresentava o crescimento mais expressivo face ao trimestre anterior.

Também os setores do comércio e logística e da hotelaria e restauração mostravam perspetivas robustas, em parte impulsionadas pela aproximação dos meses de maior atividade turística. A indústria mantinha igualmente expectativas de contratação consistentes.

O setor de finanças e seguros era o único a revelar algum abrandamento face ao início do ano, apesar de continuar com intenções positivas. Já as áreas de tecnologia e serviços de informação e os serviços públicos, de saúde e sociais apresentavam projeções mais moderadas.

Centro e Norte com expectativas mais fortes

A análise regional mostra que todas as regiões do país apresentavam expectativas positivas de criação de emprego. O Centro surgia como a região mais otimista, seguido pelo Norte e pela área do Grande Porto, que registava uma das maiores evoluções face ao trimestre anterior.

A região Sul também mostrava crescimento nas intenções de contratação, enquanto Lisboa apresentava projeções mais conservadoras.

PME mais otimistas do que grandes empresas

As pequenas e médias empresas eram as que demonstravam maior intenção de reforçar equipas. As empresas de média dimensão destacavam-se pelo nível de otimismo, enquanto as pequenas registavam uma das maiores evoluções face ao trimestre anterior.

Por contraste, as grandes empresas apresentavam planos de contratação mais cautelosos.

A nível global, o estudo, realizado junto de mais de 41 mil empregadores em 42 países e territórios, mostra que as expectativas de contratação continuam a recuperar. Ainda assim, a Europa permanece atrás de outras regiões, refletindo um contexto económico mais moderado.

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