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Procurar emprego não começa no CV

por Ricardo Eugénio (Cofundador da riia RH)

24 de Setembro, 2026

Podemos discutir estrutura, tamanho, palavras-chave ou design, mas nenhum desses elementos resolve uma falta de direção. A inteligência artificial veio tornar isto ainda mais evidente.

Quando alguém decide procurar emprego, uma das primeiras coisas que faz é abrir o CV.

Atualiza as datas, acrescenta a experiência mais recente, muda algumas frases e, hoje, provavelmente pede também à inteligência artificial para melhorar o texto. O problema é que, muitas vezes, estamos a começar pelo fim.

Antes de mexer no currículo há perguntas mais importantes: que tipo de função procuro? O que quero fazer a seguir? O que tenho no meu percurso que é relevante para isso? E o que quero que alguém perceba sobre mim quando lê a minha candidatura?

Parece simples, mas não é.

Trabalho em Recursos Humanos há mais de 15 anos e continuo a encontrar excelentes profissionais com dificuldade em explicar aquilo que têm para oferecer.

Isso acontece tanto a quem está a entrar no mercado como a quem já tem muitos anos de experiência.

Uns acham que não têm nada para mostrar. Outros têm tanta coisa para contar que acabam por colocar tudo no currículo e esperar que seja o recrutador a perceber o que interessa.

O problema, nos dois casos, é semelhante: perceber o que é relevante e saber comunicá-lo.

É também por isso que tenho alguma dificuldade com as muitas “fórmulas” para o CV perfeito. Um currículo não pode ser analisado sem perceber quem está por trás dele, o que essa pessoa procura e para onde quer ir.

Podemos discutir estrutura, tamanho, palavras-chave ou design, mas nenhum desses elementos resolve uma falta de direção.

A inteligência artificial veio tornar isto ainda mais evidente.

Nunca foi tão fácil gerar um currículo, uma carta de apresentação ou preparar uma resposta para uma entrevista. Mas escrever melhor não significa necessariamente comunicar melhor.

A tecnologia pode ajudar a organizar e melhorar uma mensagem.

Não consegue, por si só, decidir que parte de uma carreira é realmente relevante ou aquilo que deve distinguir uma pessoa das restantes.

E essa dificuldade acaba por aparecer em todo o processo: no CV, no LinkedIn e, muitas vezes, na própria entrevista.

Por isso, quando me perguntam qual é a fórmula para um bom currículo, a resposta começa antes do currículo.

Primeiro é preciso perceber onde queremos chegar, o que temos para oferecer e o que queremos que o mercado perceba sobre nós.

Depois tratamos do CV.

E aí, pelo menos, já sabemos o que queremos que ele diga.