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Smartphone da OpenAI deve chegar no próximo ano

por Marta Amaral | 5 de Maio, 2026

A dona do ChatGPT quer criar um telemóvel onde as aplicações são substituídas por agentes de IA que fazem tarefas por nós.

Quem o diz é Ming-Chi Kuo, analista de tecnologia conhecido sobretudo pelas previsões sobre a indústria de hardware, em particular a cadeia de fornecimento da Apple.

Numa publicação no X em chinês (que traduzimos com ajuda do ChatGPT), o especialista da TF International Securities refere que a empresa liderada por Sam Altman tem como objetivo iniciar a produção em massa já na primeira metade de 2027.

  • Porque é que a OpenAI quer ter um smartphone? Segundo Ming-Chi Kuo, a ambição passa por controlar a experiência de ponta a ponta e viabilizar uma nova geração de interfaces centradas em agentes. Só com domínio sobre o sistema operativo e o hardware é possível garantir uma camada de inteligência artificial contínua, contextual e verdadeiramente integrada no quotidiano do utilizador.

Ao contrário das aplicações tradicionais (fragmentadas, reativas e dependentes de comandos explícitos) os chamados “AI agents” atuam como assistentes autónomos: interpretam objetivos em linguagem natural, antecipam necessidades, articulam informação de múltiplas fontes e executam tarefas de forma quase invisível. Este nível de autonomia exige acesso profundo a várias camadas do sistema, como notificações, localização, histórico de utilização e navegação entre apps, ainda condicionado nos ecossistemas fechados de empresas como a Apple e a Google. Um dispositivo próprio elimina essas limitações e permite posicionar o agente como interface principal.

  • Porquê a pressa? Por um lado, a necessidade de sustentar uma narrativa de crescimento robusta num momento em que se especula sobre um eventual IPO. Por outro, a intensificação da concorrência num mercado onde a inteligência artificial se tornou rapidamente um fator diferenciador.

Empresas como a Google, a Apple e a Samsung já estão a integrar capacidades de IA diretamente nos seus dispositivos, acelerando a corrida para definir o futuro do smartphone. A OpenAI procura posicionar-se não apenas como mais um concorrente, mas como a entidade que redefine o modelo, deslocando o centro da experiência das aplicações para agentes inteligentes.

  • O que muda? Em vez de navegarmos entre aplicações, passamos a expressar intenções, a execução fica a cargo do sistema. Na prática, isto pode traduzir-se em pedidos simples (como organizar uma reunião ou marcar um jantar) tratados automaticamente, sem necessidade de alternar entre várias apps.

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  • Quais são os desafios? O dispositivo tem de compreender continuamente o contexto do utilizador, o que implica exigências elevadas ao nível do consumo energético, gestão de memória e execução eficiente de modelos de IA no próprio equipamento.

Ao mesmo tempo, tarefas mais complexas devem continuar a ser processadas na cloud, exigindo uma integração fluida entre processamento local e remoto. Existem ainda questões críticas relacionadas com privacidade, segurança e fiabilidade de agentes autónomos, bem como a complexidade do desenvolvimento de hardware, uma área onde players estabelecidos mantêm vantagem.

  • Quem vai ajudar? De acordo com o especialista em tecnologia, a OpenAI está a trabalhar com fabricantes de chips como a MediaTek e a Qualcomm para desenvolver processadores móveis. Para já, a MediaTek é a principal candidata a fornecedora.

Já a Luxshare Precision Industry deverá ficar responsável pelo design e fabrico, sendo a parceira exclusiva. Este projeto pode dar à empresa uma oportunidade de ganhar relevância, numa altura em que tem dificuldade em competir com a Foxconn na produção para a Apple.

O impacto esperado: Se o desenvolvimento correr como previsto, as estimativas apontam para a produção de cerca de 30 milhões de unidades entre 2027 e 2028.

Apesar de ser um volume modesto à escala do mercado global de smartphones, o impacto potencial desta nova geração de telemóveis poderá marcar uma mudança de paradigma.