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“Não faz sentido que os cursos de ideias não tenham empresas a seu lado”. A visão do Politécnico de Santarém sobre empreendedorismo e inovação

por Marta Amaral | 21 de Janeiro, 2026

No oitavo episódio do podcast The Next Big Idea, conversamos com Rogério Palmeiro, Head of Innovation do Instituto Politécnico de Santarém.

Ao longo da conversa, o responsável defende que o empreendedorismo e a inovação só geram impacto real quando passam da teoria à prática e são alinhados com as necessidades concretas dos territórios. O episódio explora ainda o papel dos politécnicos como motores de coesão territorial, capazes de reter talento, impulsionar a criação de startups e reforçar a competitividade das empresas locais, através de uma ligação estreita entre universidade, tecido empresarial e políticas públicas.

Para Rogério Palmeiro, o empreendedorismo não se ensina apenas na sala de aula. Exige contacto direto com os problemas reais do território e uma estratégia concertada entre vários atores locais.

“Empreendedorismo e inovação é precisamente isso: pôr em prática uma estratégia que ligue o Politécnico, o município, a Câmara de Comércio e a Associação Empresarial, para formar, reter e fixar talento.”

Esta abordagem parte do princípio de que a inovação só faz sentido quando resolve desafios concretos das empresas e do ecossistema local, tornando o território mais competitivo à escala nacional e internacional.

Formação prática desde cedo e cruzamento de áreas

O Politécnico de Santarém tem vindo a trabalhar o mindset empreendedor ainda antes do ensino superior, através da feira InTER-EDUCA, que inclui concursos de ideias e programas de mentoria para estudantes do ensino secundário e superior.

O modelo envolve todas as escolas do politécnico (agrária, desporto, educação, gestão, tecnologia e saúde) e aposta no cruzamento entre base tecnológica e conhecimento setorial, dando origem a áreas como Agrotech, Sport Tech e Health Tech. Os estudantes são integrados em redes internacionais de inovação e preparados para competir em concursos regionais, nacionais e europeus.

“Hoje em dia é fundamental cruzar a base tecnológica com toda a especificidade, seja no agro, no desporto ou na saúde.”

A formação é pensada como um percurso contínuo, onde a teoria é sempre acompanhada por prática, contacto com empresas e desenvolvimento de protótipos com potencial de mercado.

“Queremos cada vez mais que o estudante, quando escolhe o seu mestrado, saiba que já tem uma empresa ou que já tem uma ideia que pode escolher, já está a começar a sua carreira”.

Coesão territorial e ligação às empresas

Um dos pilares centrais da estratégia passa pela retenção de talento no território. A universidade forma e capacita, as empresas absorvem inovação e o município cria as condições para que projetos evoluam para startups e se fixem localmente.

Este modelo inclui parcerias com empresas internacionais, como a canadiana Empowered Startups, que trouxe empreendedores séniores para trabalhar diretamente com estudantes e docentes, acelerando a passagem da ideia ao mercado. O município de Santarém tem um papel ativo neste processo, associando-se ao ecossistema e apoiando a fixação de investimento.

“Todo o ecossistema só funciona se houver uma conjugação entre universidade, empresas e políticas territoriais, para capacitar, reter e fixar talento no território.”

Setores estratégicos e inovação de impacto

A aposta em inovação está alinhada com os setores estratégicos do território: agricultura, saúde, desporto, logística e indústria da pedra. A formação e os projetos desenvolvidos refletem estas prioridades, permitindo que a universidade responda às necessidades reais da economia local.

Além da inovação tecnológica, Rogério Palmeiro sublinha a importância da inovação social e do empreendedorismo de impacto, integrando temas como sustentabilidade, transição ambiental e coesão social no desenvolvimento de novos projetos e startups.

O objetivo é que, até 2026, os politécnicos se afirmem de forma clara como instrumentos de coesão territorial, com a inovação a assumir-se como um pilar central, a par da formação e da internacionalização.

A visão apresentada no podcast aponta para um ecossistema circular, onde ideias se transformam em protótipos, startups e empresas mais competitivas, capazes de gerar emprego qualificado e fixar talento no território.

O The Next Big Idea é um podcast onde se fala sobre o que realmente move o futuro dos negócios. Empreendedorismo, inovação, tecnologia, investimento e estratégia em conversas exclusivas com líderes de empresas de referência no panorama nacional e internacional. Podes ouvir todos os episódios no Spotify, na Apple e no Youtube.