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Robôs Humanoides são a nova indústria de um bilião de dólares

por Marta Amaral | 16 de Abril, 2026

Os robôs humanoides estão prestes a passar da fase de protótipo para a implementação à escala industrial.

Esta é a principal conclusão do mais recente estudo da Roland Berger, Humanoid Robots 2026 – The Convergence Moment for a New Market, que mostra como os avanços na Inteligência Artificial (IA) e no hardware robotizado podem permitir, no futuro, que os sistemas humanoides operem com custos operacionais de cerca de dois dólares americanos por hora. Esta é uma realidade que poderá ser uma alavanca decisiva em países com salários elevados, como muitos na Europa, para garantir a competitividade, fomentar novas indústrias e combater a escassez de mão-de-obra qualificada.

De acordo com o estudo, os fabricantes de robôs poderão atingir receitas de 300 mil milhões de dólares até 2035 e, em cenários mais otimistas, até aos 750 mil milhões de dólares. A longo prazo, o mercado poderá vir atingir até 4 biliões (do inglês trillion) de dólares, alcançando potencialmente um mercado de dimensão comparável ao da indústria automóvel.

“Atualmente, estamos no ponto em que a viabilidade tecnológica está a encontrar a necessidade económica. A questão principal já não é se os robôs humanoides são realistas, mas sim a rapidez com que serão dimensionados”afirma Thomas Kirschstein, partner da Roland Berger.

Oportunidade multimilionária ao longo da cadeia de valor

Espera-se que os robôs humanoides criem novos mercados de vendas que vão muito além dos próprios robôs: desde motores, mecânica ou sensores, até eletrónica e equipamento de produção, numa cadeia de valor complexa que, em grande parte, se baseia nas capacidades industriais existentes.

Antes que os robôs humanoides possam assumir tarefas de produção totalmente autónomas, a tecnologia precisa de avançar mais. Embora o hardware já esteja numa fase avançada, o software, as cadeias de abastecimento e as regulamentações estão a amadurecer gradualmente. Os benefícios vão surgir inicialmente em aplicações repetitivas e claramente definidas, como desembalar ou transportar artigos. Só com o aumento da maturidade do software é que o leque de tarefas poderá expandir-se.

Questões como a durabilidade, a segurança e a responsabilidade vão determinar também a velocidade e o alcance da industrialização. Os sistemas complexos devem suportar a operação contínua em ambientes de produção, por vezes, severos.

Os padrões de segurança existentes são concebidos para a automatização tradicional e isolada. Os robôs humanoides, por outro lado, trabalham de forma dinâmica e movem-se nos mesmos espaços que as pessoas. Isto exige novas abordagens de ensaio e certificação, bem como legislação harmonizada.

A Europa precisa da sua própria cadeia de valor

A Europa possui uma base industrial sólida, especialmente a indústria automóvel, engenharia mecânica e automação, mas os investimentos, volumes e ecossistemas de startups ainda estão atrasados​​em relação aos EUA e à China. De acordo com o estudo, o continente ainda não perdeu terreno, mas precisa de agir com decisão.

Pol Busquets, partner da Roland Berger, afirma que “a Europa tem as capacidades tecnológicas para beneficiar dos robôs humanoides no futuro. O que falta é a determinação para investir nas suas próprias cadeias de valor e escalar rapidamente.”

Com custos operacionais a rondar os dois dólares americanos por hora, os robôs humanoides abrem a possibilidade de trazer a produção intensiva em mão-de-obra de volta para a Europa de uma forma economicamente viável.

O pré-requisito é uma estrutura europeia de criação de valor: mais escala, mais investimento e uma integração estreita entre a indústria, os fornecedores e a criação de tecnologia. Se tal não acontecer, a Europa corre o risco de se tornar dependente de tecnologias estrangeiras (mesmo que a Europa já tenha mais de 20 startups de robôs humanoides atualmente). Sem uma cadeia de valor industrial própria que consiga acompanhar os EUA e a China, uma parcela significativa dos impactos económicos seria gerada fora da Europa, como já se observa hoje em alguns setores da indústria da IA.

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