Voltar | Literacia Financeira Dossier: The Next Big Idea - O Podcast

Revolut quer deixar de ser “a app dos pagamentos” e tornar-se o banco principal dos portugueses

por Marta Amaral | 12 de Fevereiro, 2026

No 12º episódio do podcast “The Next Big Idea”, Rúben Germano, Diretor Geral da Revolut em Portugal, foi nosso convidado.

A Revolut já ultrapassou os dois milhões de clientes em Portugal e quer dar o passo seguinte: deixar de ser vista sobretudo como uma app de pagamentos para passar a assumir-se como o banco principal dos portugueses. A meta está traçada.

“Quero passar de uma app que utilizam mais para pagamentos para o seu banco principal”, afirma Rúben Germano, Diretor Geral da Revolut em Portugal.

O percurso da fintech começou por resolver um problema comum a muita gente (pagar no estrangeiro sem taxas inesperadas) e foi nesse segmento das viagens que ganhou escala. Mas a ambição rapidamente se alargou.

“Passámos de uma empresa monoproduto para um banco com uma super app financeira”, resume.

Hoje, a oferta inclui produtos de poupança, fundos monetários flexíveis, obrigações, investimento em ações e ETFs, bem como crédito pessoal, lançado no mercado português há cerca de um ano.

Em 2025, o foco foi claramente a adaptação ao mercado nacional. A empresa lançou IBAN português, integrou pagamentos com o Multibanco e o MB Way e disponibilizou contas de depósito.

“Estes produtos vieram colmatar algumas lacunas face à banca tradicional”, explica. A estratégia passa por eliminar fricções e aproximar a experiência digital daquilo que os clientes já esperam de um banco completo. Apesar da dimensão global (65 milhões de clientes), a empresa procura manter o ADN de startup.

O objetivo foi lançar rapidamente, recolher feedback e escalar apenas depois de afinado o produto.

“Criamos equipas de 10 pessoas para lançar um produto como se fosse uma fintech dentro da Revolut. Erramos, aprendemos e melhoramos 10 ou 100 vezes. (…) Quando criámos o produto, não foi por ser bancário. Foi para matar uma necessidade do cliente”.

Esse foco no cliente é apontado como principal fator diferenciador num setor altamente regulado e dominado por bancos históricos. Em Portugal, a Revolut já atinge uma penetração de cerca de 20% (acima da média europeia) e tornou-se, segundo o responsável, o terceiro maior banco no país em número de clientes. O crescimento tem sido consistente: meio milhão de novos utilizadores por ano nos últimos dois anos.

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Como “agarrar” clientes…

Parte dessa expansão resulta de estratégias de fidelização e recomendação. O programa RevPoints, associado a cartões de débito, permite acumular pontos trocáveis por milhas aéreas, vouchers ou experiências.

Em paralelo, o sistema de referrals continua a ser uma das principais alavancas de aquisição. “Um cliente satisfeito tem sempre maior capacidade de atrair outro cliente”, diz Rúben Germano, defendendo que o passa-palavra gera maior envolvimento e utilização da plataforma.

A aposta no investimento é outro dos eixos estratégicos, sobretudo entre os mais jovens. A aplicação integra conteúdos de literacia financeira e disponibiliza um leque alargado de instrumentos. Dados internos indicam que são os utilizadores até aos 35 anos que mais recorrem a produtos de investimento dentro da app.

“A Revolut tem tido um papel fulcral no aparecimento do investimento em ETFs e na diversificação das opções de rentabilização do dinheiro”, descreve.

A frente empresarial também está a ganhar tração. O segmento Revolut Business cresceu 40% em Portugal no último ano, apoiado numa oferta que inclui soluções de pagamento físico e online, integração com plataformas de e-commerce e ferramentas de gestão. O princípio mantém-se: rapidez, simplicidade e foco na experiência.

“É possível criar gigantes tecnológicos a partir do continente”

“Queremos fazer no business a mesma disrupção que fizemos nos particulares”, afirma.

No plano europeu, a Revolut apresenta-se como um exemplo de que é possível criar gigantes tecnológicos a partir do continente.

“Temos 65 milhões de clientes que podem fazer transferências entre si gratuitamente. É um ecossistema enorme”, destaca. Ainda assim, defende maior harmonização regulatória na União Europeia para facilitar a expansão das fintechs entre mercados.

Apesar do crescimento acelerado, há áreas onde a empresa ainda não compete diretamente com a banca tradicional, como o crédito à habitação. “Há um caminho longo a percorrer”, reconhece. A estratégia passa por consolidar primeiro o core de pagamentos e expandir gradualmente para produtos mais complexos, garantindo sempre uma proposta mais simples e competitiva.

Para 2026, a fintech quer chegar aos 2,5 milhões de clientes em Portugal e consolidar a transição de app complementar para banco principal. Se conseguir, a Revolut poderá deixar definitivamente para trás a imagem de cartão para viagens e afirmar-se como um dos protagonistas centrais do setor financeiro nacional.

O The Next Big Idea é um podcast onde se fala sobre o que realmente move o futuro dos negócios. Empreendedorismo, inovação, tecnologia, investimento e estratégia em conversas exclusivas com líderes de empresas de referência no panorama nacional e internacional.