Quem são as empresas europeias que tentam competir com a Nvidia nos chips de IA?
por Gabriel Lagoa | 19 de Janeiro, 2026
A Europa não tem uma “nova Nvidia”, mas tem empresas a atacar partes do problema dos chips de IA. Do treino à inferência e aos data centers, estes são os principais nomes.
A Nvidia domina o mercado dos chips para inteligência artificial, sobretudo no treino de grandes modelos em data centers. Na Europa, não existe um concorrente direto com a mesma escala. Ainda assim, há várias empresas a desenvolver processadores e aceleradores para diferentes partes do ecossistema de IA, da inferência à supercomputação. Eis cinco nomes a acompanhar.
Graphcore (Reino Unido)
Foi dos projetos europeus mais ambiciosos a tentar competir no centro do mercado. A empresa criou processadores desenhados de raiz para lidar com cargas de trabalho de machine learning, com arquitetura e software próprios. Durante anos foi apresentada como alternativa às GPUs da Nvidia no treino de modelos. Em 2024, acabou por ser adquirida pelo grupo japonês SoftBank, depois de dificuldades em ganhar quota de mercado. Continua a ser uma referência técnica, mas já fora do controlo europeu.
Axelera AI (Países Baixos)
Sediada em Eindhoven, aposta num caminho diferente: chips para inferência, ou seja, para executar modelos já treinados. Em 2025, a empresa recebeu apoio do programa europeu EuroHPC para desenvolver um novo chip orientado para data centers. A estratégia? Não competir no treino, onde a Nvidia é dominante, mas tornar a execução de modelos mais barata e eficiente. Com presença em Portugal, esta empresa angariou mais de 200 milhões de dólares em três anos.
SiPearl (França)
Não fabrica GPUs, mas CPUs para supercomputadores. A empresa lidera o desenvolvimento dos processadores Rhea, no âmbito da European Processor Initiative. Estes chips destinam-se a sistemas de computação de alto desempenho usados também em projetos de IA científica e industrial. É uma peça central na tentativa europeia de reduzir a dependência de tecnologia americana na infraestrutura.
Openchip (Espanha)
Nascida a partir de um centro de investigação em Barcelona, desenvolve chips especializados para acelerar cálculos usados em inteligência artificial e supercomputação. O objetivo é integrar estes processadores em grandes computadores europeus, reduzindo a dependência de tecnologia estrangeira.
Kalray (França)
Especializada em chips para acelerar o processamento e a gestão de grandes volumes de dados. Os seus chips são pensados para aliviar CPUs e GPUs em tarefas como movimentação de dados e inferência de modelos. A empresa trabalha com parceiros europeus em projetos ligados a centros de supercomputação.
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