Portuguesa ByTheLaw compra a advIA e reforça a presença na advocacia nacional
por Gabriel Lagoa | 6 de Novembro, 2026
A startup portuguesa comprou a plataforma advIA, a primeira aquisição que faz, e passa a ter mais de 8 mil advogados a usar as suas ferramentas de inteligência artificial.
A ByTheLaw comprou a plataforma advIA e, com os utilizadores que vêm com ela, passa a ter mais de 8 mil advogados como clientes. Há cerca de 36.400 advogados com inscrição em vigor na Ordem. Isto quer dizer que mais de um em cada cinco já usa as ferramentas de inteligência artificial (IA) da startup portuguesa.
É a primeira aquisição da empresa. “Este é um passo de consolidação num mercado onde a consolidação ainda não tinha começado”, afirma André Dionísio, cofundador e CEO da ByTheLaw. “Esta aquisição permite-nos chegar a mais profissionais e concentrar recursos no desenvolvimento de ferramentas adaptadas à prática jurídica portuguesa. O nosso crescimento tem de se traduzir em utilidade no trabalho diário: facilitar o acesso à informação relevante e dar aos juristas mais tempo para analisar cada caso e aconselhar os seus clientes.”
A tecnologia nasceu de um ano de trabalho dentro da Sérvulo & Associados. O ponto de partida foi um problema: o tempo perdido à procura de informação espalhada por contratos, minutas e pareceres. Entre os clientes estão também a CMS Portugal, a P&A Legal e as equipas jurídicas da ANA Aeroportos e da Delta.
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A empresa já tinha um sistema de gestão de conhecimento, que cruza os documentos internos de cada escritório com legislação e jurisprudência. Agora junta-lhe as referências de doutrina citadas em acórdãos. Há ainda três ferramentas novas:
- o RefChecker, que compara as citações com bases oficiais e assinala as que podem estar erradas ou nem sequer existir;
- o Anonymizer, que retira dados pessoais dos documentos;
- o Court Transcriber, que passa as gravações das audiências a texto pesquisável em português europeu.
“No Direito, a rapidez de uma resposta só tem valor se o profissional conseguir verificar as fontes e perceber o contexto em que se aplicam. E a IA generativa só é útil se for alimentada com dados de qualidade”, sublinha o responsável. “O desenvolvimento das nossas ferramentas é sempre orientado por este princípio: tornar a informação mais acessível e verificável, mantendo no jurista a análise crítica e a responsabilidade pela sua utilização.”
Segundo dados da Bloomberg Law, os advogados passam, em média, um quarto do tempo em tarefas administrativas. Uma análise da Goldman Sachs estima que 44% do trabalho das profissões jurídicas pode ser automatizado com IA. Os dois estudos dizem respeito à realidade norte-americana.