Voltar | Inteligência Artificial, Dossier: Crescer a partir de Portugal

Poderá a IA ser o próximo grande negócio português?

por Gabriel Lagoa | 19 de Janeiro, 2026

Da saúde ao atendimento ao cliente, passando pelos data centers, o novo episódio de The Next Big Idea mostra como Portugal começa a posicionar-se na economia da inteligência artificial.

A inteligência artificial deixou de ser um tema reservado a conferências tecnológicas ou a grandes empresas internacionais. Está cada vez mais presente no dia a dia e começa a ganhar peso na economia de vários países. Portugal não é exceção.

No mais recente episódio de The Next Big Idea, olhamos para a forma como duas empresas portuguesas estão a aplicar inteligência artificial em contextos reais, desde a saúde ao atendimento ao cliente, passando pela infraestrutura necessária para sustentar esta tecnologia: os data centers.

Um dos exemplos em destaque é a Sword Health. Fundada em 2015, a empresa tornou-se um dos unicórnios portugueses mais valiosos e desenvolve soluções de cuidados de saúde que combinam inteligência artificial com equipas clínicas. O foco inicial foi a dor física, um problema que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que, segundo a empresa, continua a ser subestimado quando comparado com outras doenças mais mediáticas.

A proposta da Sword passa por usar inteligência artificial para permitir um acompanhamento mais frequente e acessível dos pacientes, sem substituir os profissionais de saúde. A tecnologia entra como apoio, enquanto os clínicos continuam a ter um papel central nos casos que exigem intervenção humana. Um dos exemplos é a Phoenix, um agente de inteligência artificial que acompanha os pacientes durante as sessões, ajusta exercícios e recolhe informação que depois é analisada pelas equipas clínicas.

Da saúde à experiência do cliente

Mas a saúde não é o único setor onde a inteligência artificial está a ganhar espaço. No atendimento ao cliente e na experiência do consumidor, o volume de pedidos e a necessidade de respostas rápidas criam um contexto diferente. É aqui que entra a Automaise, uma empresa portuguesa fundada há quase uma década.

A Automaise desenvolveu uma plataforma que permite às empresas criar assistentes inteligentes sem necessidade de grandes equipas técnicas. A ideia passa por combinar inteligência artificial com integrações a sistemas internos e bases de conhecimento, permitindo não apenas conversar com os utilizadores, mas também executar ações concretas nos processos de negócio. Parte do trabalho da empresa passa também por educar o mercado, num contexto onde coexistem tanto expectativas exageradas como desconfiança em relação à tecnologia.

Subscreve a nossa newletter

Junta-te aos mais de 4.000 profissionais que já acompanham as melhores histórias de inovação todas as terças e quintas-feiras. Link aqui

Por trás de tudo isto está uma camada menos visível, mas essencial: a infraestrutura. Os algoritmos precisam de capacidade de computação e energia. É aqui que entram os data centers e é por isso que vários países competem hoje por este tipo de investimento. Em Portugal, há mais de uma dezena de projetos deste tipo de infraestruturas em desenvolvimento, com alguns já em funcionamento, apoiados por investimento público e privado.

Neste contexto, o Banco Português de Fomento surge como um dos atores envolvidos no financiamento e apoio a projetos estruturantes nesta área. O banco tem participado em operações de financiamento associadas aos centros de dados num esforço para criar uma base que permita às empresas portuguesas aceder a capacidade de computação no próprio país.

O episódio termina com um olhar mais amplo sobre os desafios do país. Apesar do talento disponível, a escala do mercado português continua a ser um limite, obrigando muitas empresas a crescer fora. Ainda assim, há quem defenda que é possível construir em Portugal uma base sólida, capaz de gerar valor acrescentado a partir da inteligência artificial.

A Automise e a Sword foram apoiadas pela linha de financiamento “Venture Capital”, do Banco Português de Fomento (BPF). O BPF é uma instituição financeira que cria soluções inovadoras para apoiar projetos nacionais e internacionais, promovendo a sustentabilidade e o desenvolvimento económico. Através da sua atividade, incentiva a capacidade empreendedora, o investimento, a competitividade e a criação de emprego.

Vê aqui o episódio