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Produzir na Europa: o regresso da indústria começa na flexibilidade

Durante décadas, a indústria europeia apostou na deslocalização da produção para geografias mais competitivas em custo. Esse modelo permitiu escalar, reduzir preços e alimentar um mercado globalizado. Mas a pandemia, a instabilidade geopolítica e as recentes disrupções nas cadeias logísticas mostraram-nos os limites dessa abordagem. Produzir longe já não é sinónimo de segurança, nem de eficiência. A resposta está a ganhar forma: a Europa quer – e precisa – de voltar a produzir. E fá-lo-á com inteligência. 

Na Synere e nas suas empresas participadas, temos observado e vivido esse movimento de perto. Assistimos a uma crescente procura por soluções industriais que aliam proximidade geográfica, know-how técnico e capacidade de resposta. As soluções OEM e de subcontrato tornaram-se, por isso, uma área mais estratégica no grupo. E não por acaso: é ela que nos permite atuar como verdadeiro parceiro industrial, oferecendo soluções que se ajustam ao ritmo, volume e especificidade de cada cliente. Isto pode acontecer através de linhas dedicadas para grandes volumes, como no caso de vários clientes startup e embedded SaaS, ou através de uma abordagem flexível capaz de montar e entregar uma máquina por semana, quando o projeto assim o exige. Esta capacidade de adaptação – de operar tanto na escala como na agilidade – tem sido decisiva para responder a um mercado em rápida transformação.

OEM: mais do que fabricar, cocriar soluções industriais

Num contexto de reindustrialização, o papel dos fabricantes deixou de ser apenas o de produzir. Hoje, as empresas industriais mais relevantes são aquelas que conseguem pensar em conjunto com os seus clientes, assumindo responsabilidades desde o planeamento até à entrega final. É exatamente isso que fazemos por exemplo na unidade OEM da Inovocorte: não entregamos apenas máquinas, entregamos soluções. Desenvolvemos internamente processos de gestão de projeto robustos, asseguramos a validação técnica em cada etapa e realizamos testes finais rigorosos que garantem que cada solução cumpre os requisitos com precisão.

O valor de Portugal e da Europa nunca poderá estar estrategicamente assente no preço. Se assim for, estaremos sujeitos a perder a corrida antes mesmo de trilharmos os primeiros metros.

Esta abordagem permite-nos atuar como extensão das equipas dos nossos clientes, oferecendo soluções personalizadas, prontas a integrar nas suas linhas de produção e adaptadas aos seus desafios operacionais. Este é, para nós, o verdadeiro sentido de ser OEM: um compromisso com a qualidade, a fiabilidade e a criação de valor conjunto.

Reindustrializar com parceiros à altura do desafio

O regresso da produção à Europa é um desafio ambicioso. Não se trata apenas de relocalizar fábricas, mas de construir ecossistemas industriais sólidos, colaborativos e tecnologicamente preparados para o futuro. A indústria portuguesa tem-se destacado na Europa e, nos últimos anos, reforçando o seu ADN de engenharia, resiliência e capacidade de adaptação, tem um papel a desempenhar nesta transformação. Em Portugal, estamos prontos para o fazer – com uma visão clara, soluções à medida e uma cultura de parceria que valoriza cada detalhe do processo produtivo. O preço é uma variável importante e incontornável, mas no que respeita à criação e entrega de valor real no mercado, o custo e o preço assumem uma posição cada vez mais relativa em relação ao valor. O valor de Portugal e da Europa nunca poderá estar estrategicamente assente no preço. Se assim for, estaremos sujeitos a perder a corrida antes mesmo de trilharmos os primeiros metros.

A competitividade europeia será cada vez mais definida pela capacidade de construir relações industriais estratégicas, que vão além do fornecimento e assentam na confiança, inovação e entrega. É essa a nossa aposta. Porque reindustrializar é mais do que voltar a produzir. É escolher com quem produzir.