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Os sistemas legacy aguentam mais um ano?

Ao planear o próximo ano, o primeiro passo é simples: identificar o que, no legacy, depende de uma só pessoa. É por aí que a transição deve começar.

Quando falamos em tecnologia, as primeiras coisas de que nos lembramos são inovação e evolução. Contudo, será que o que se pratica dentro do próprio setor funciona assim? As linguagens de programação têm acompanhado o avanço das ferramentas tecnológicas, mas a sua adoção nem sempre é uma escolha unânime. É aqui que entram os legacy systems, que muitas vezes só uma ou outra pessoa sénior sabe manter, muito dependentes de tarefas que “sempre funcionaram assim”. Com linguagens que não estão a acompanhar o ritmo atual, a verdadeira pergunta é: conseguem os legacy systems aguentar mais um ano?

O setor financeiro, entre outros, ainda se encontra muito apoiado em aplicações COBOL em Micro Focus/Linux, consideradas sistemas estáveis e fiáveis. No entanto, a escassez de perfis COBOL, a integração complexa com tecnologia nova, as entregas mais lentas e os custos de manutenção mais altos demonstram que o próximo passo já não passa por aqui.

Os sistemas antigos, embora de confiança, acarretam tempos de entrega mais longos. Esta demora deixou de ser aceitável com os anos e traz menos flexibilidade para dar resposta às novas necessidades. Além disso, leva cada vez mais a um risco de concentração de conhecimento crítico em poucas pessoas, o que se transforma num risco operacional, além de técnico.

As linguagens de programação têm acompanhado o avanço das ferramentas tecnológicas, mas a sua adoção nem sempre é uma escolha unânime. É aqui que entram os legacy systems, que muitas vezes só uma ou outra pessoa sénior sabe manter, muito dependentes de tarefas que “sempre funcionaram assim”.

Com tudo isto em mente, poderia ser fácil pensar que a solução passa por substituir todos os sistemas de repente, mas é importante reconhecer o peso que ainda têm no negócio. Uma substituição repentina cria os seus próprios riscos. A escolha a adotar, principalmente nesta fase de último trimestre, em que se começam a definir os objetivos do próximo ano, é a modernização gradual. Aqui, o legacy e o moderno devem coexistir numa fase de transição em que a migração é feita funcionalidade a funcionalidade.

Para esta mudança, a Inteligência Artificial (IA) pode ter um papel relevante. Já sendo utilizada para compreender e documentar código legacy, pode também apoiar na conversão e acelerar o processo de modernização, ainda que não possa substituir especialistas experientes. Com a rápida evolução que a IA nos trouxe, é importante mantermos o modelo human in the loop, em que a tomada de decisão e a responsabilização são muito claras.

Refletindo sobre as vantagens e desvantagens que o antigo e o novo nos trazem, acredito que os sistemas legacy continuarão em produção para lá do próximo ano. No entanto, a questão não deve ser se serão capazes de “sobreviver” mais um ou dois anos, mas sim como gerir a inevitável transição mantendo o risco controlado. Ao planear o próximo ano, o primeiro passo é simples: identificar o que, no legacy, depende de uma só pessoa. É por aí que a transição deve começar.