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O que falta para os recondicionados conquistarem os consumidores?

A procura por produtos recondicionados e em segunda mão é cada vez maior, estando apenas limitada pelo sentimento de insegurança que ainda é notório entre os consumidores.

O mercado dos produtos recondicionados e em segunda mão tem vindo a ganhar espaço em Portugal, impulsionado, em particular, pela procura por preços mais competitivos e por uma maior preocupação com a sustentabilidade. No entanto, a falta de confiança dos consumidores em equipamentos de segunda vida continua a ser um desafio que as empresas precisam de enfrentar.

De acordo com o estudo “Observador Cetelem”, 66% dos portugueses já compraram produtos recondicionados ou em segunda mão, com a tecnologia e os dispositivos eletrónicos a liderarem as preferências (45%). Para além disso, 89% dos consumidores admitem estar disponíveis para comprar equipamentos de segunda vida no futuro, o que demonstra que são inúmeras as oportunidades de desenvolvimento deste modelo de consumo em Portugal.

O mesmo estudo identificou, porém, os fatores que afastam os portugueses da aquisição de produtos em segunda mão, sendo os principais a desconfiança relativamente à qualidade e durabilidade dos equipamentos (31%), possíveis avarias ou problemas de funcionamento (29%) e falta de garantias claras (23%). Isto significa que os equipamentos não são uma barreira, o obstáculo é a insegurança que ainda está associada à sua compra causada pela iliteracia no tema.

O mesmo estudo identificou, porém, os fatores que afastam os portugueses da aquisição de produtos em segunda mão, sendo os principais a desconfiança relativamente à qualidade e durabilidade dos equipamentos (31%), possíveis avarias ou problemas de funcionamento (29%) e falta de garantias claras (23%).

O comércio eletrónico pode, neste sentido, ser um fator determinante, podendo liderar pelo exemplo. No universo digital, a falta de confiança nos produtos também é uma barreira à sua compra e venda, pelo que os negócios online já têm um modelo baseado em informação clara e transparente. É, por isso, uma realidade que deve ser replicada: fotografias de qualidade, descrições completas, indicações do estado dos produtos, histórico de utilização, preços mais acessíveis e detalhes quanto a garantias e devoluções são essenciais para melhorar a experiência de compra. No fundo, quanto mais conhecimento o consumidor tiver sobre um produto, menor será a perceção de risco e maior será a probabilidade de conversão.

Esta perspetiva não pode, claro, desvalorizar a importância do preço. O estudo indica que a maioria dos consumidores portugueses considera mais atrativa a compra de produtos recondicionados quando existe, para além de uma garantia superior a um ano e a possibilidade de troca, uma redução do preço superior a 30%. Este fator deve ser, portanto, combinado com soluções em caso de danos, para tornar o mercado competitivo.

A criação de critérios e selos de qualidade também contribui para reduzir a incerteza. Num contexto em que cada vendedor pode atribuir um significado diferente a um produto recondicionado, estabelecer referências transversais ao setor, com critérios sobre o estado dos equipamentos, os testes realizados e as condições de garantia, é decisivo para que os consumidores possam comparar ofertas de forma mais informada.

A maioria dos consumidores portugueses considera mais atrativa a compra de produtos recondicionados quando existe, para além de uma garantia superior a um ano e a possibilidade de troca, uma redução do preço superior a 30%.

Os equipamentos em segunda mão têm um importante papel na economia circular, uma vez que permitem prolongar o ciclo de vida dos produtos e, desta forma, reduzir o desperdício. Ao serem alternativas mais sustentáveis, a sua comercialização deve ser impulsionada, o que é facilitado pela existência de plataformas como marketplaces, através dos quais os produtos podem atingir mais consumidores e mercados.

Para as empresas que já vendem online, as devoluções podem representar uma oportunidade adicional no mercado dos produtos novos, semi-novos e usados. Muitas vezes, representam um desafio operacional e financeiro, uma vez que o processo de voltar a colocar esses produtos à venda nem sempre é simples, sobretudo quando o seu estado já não permite que sejam comercializados como novos ou quando o reenvio ao fornecedor implica custos mais elevados. É aqui que a economia circular também se transforma numa estratégia de negócio, permitindo recuperar o valor de produtos que, de outra forma, poderiam ser desperdiçados.

A procura por produtos recondicionados e em segunda mão é cada vez maior, estando apenas limitada pelo sentimento de insegurança que ainda é notório entre os consumidores. Para a evitar, as empresas terão de apostar em transparência, qualidade, garantias e processos que clarifiquem o estado do produto que está a ser adquirido. Só assim será possível encarar este mercado como uma escolha de consumo intuitiva.