Em 2024, 77% dos utilizadores da internet na União Europeia fizeram compras online, segundo o Eurostat. Quanto maior é o número de consumidores no digital, maior é também a concorrência entre marcas.
Durante muito tempo, muitas marcas encararam os marketplaces como um complemento à sua estratégia digital. A prioridade passava por criar uma loja online própria e só depois ponderar a presença noutras plataformas. Hoje, essa lógica já não acompanha a evolução do mercado.
Na minha perspetiva, um dos maiores erros que uma marca pode cometer é olhar para um marketplace apenas como um canal de vendas. O seu papel evoluiu muito nos últimos anos. Tornou-se uma ferramenta de crescimento, capaz de ajudar as empresas a chegar a novos públicos, testar categorias de produto, validar oportunidades de negócio e acelerar a expansão sem assumir, desde o primeiro momento, toda a complexidade de uma operação digital própria.
Esta transformação acompanha a evolução do comércio eletrónico. Em 2024, 77% dos utilizadores da internet na União Europeia fizeram compras online, segundo o Eurostat. Quanto maior é o número de consumidores no digital, maior é também a concorrência entre marcas. Hoje, o desafio já não é estar online. É conseguir destacar-se.
É precisamente aqui que os marketplaces podem fazer a diferença. Para muitas empresas, sobretudo pequenas e médias, representam uma oportunidade para crescer de forma mais rápida e eficiente. Mais do que gerar vendas, permitem reduzir barreiras à entrada no comércio eletrónico, aumentar a visibilidade e compreender melhor o mercado através dos dados gerados pela atividade da própria marca.
Ao longo dos últimos anos, tenho visto uma mudança clara na forma como as empresas olham para estas plataformas. Se antes a decisão surgia como resposta a uma necessidade imediata, hoje faz parte da estratégia de crescimento de muitas marcas. Não substituiu os canais próprios, complementa-os.
Naturalmente, estar presente num marketplace não garante sucesso. Continua a ser essencial investir na qualidade dos produtos, na experiência proporcionada ao cliente e na diferenciação da marca. Nenhuma plataforma substitui esse trabalho.
Acredito, no entanto, que as marcas que continuarem a encarar os marketplaces como um canal secundário estarão a ignorar uma das maiores transformações do comércio eletrónico dos últimos anos. Crescer no digital já não depende apenas da capacidade de vender. Depende, cada vez mais, da capacidade de escolher os parceiros certos para chegar mais longe.