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A receita para a inovação? Comunidade, diversidade e flexibilidade

por Diogo Fabiana (CEO do IDEA Spaces)

10 de Agosto, 2026

Neste Dia Internacional do Cowork, faço uma pausa para olhar para o caminho que temos percorrido e, sobretudo, para aquilo que ainda podemos fazer melhor.

Há quinze anos, falar de coworking em Portugal era, para muitos, falar de uma nova tendência, sobretudo procurada por freelancers, startups ou empresas em fase inicial, grande parte internacionais. Hoje, a realidade é muito diferente. O coworking deixou de ser apenas uma solução para quem não queria ou não podia ter um escritório próprio. Tornou-se uma resposta concreta à forma como trabalhamos, às necessidades das empresas e, sobretudo, às expectativas das pessoas.

É precisamente isso que celebramos no Dia Internacional do Coworking: não apenas o crescimento de um setor, mas a transformação da própria ideia de espaço de trabalho e da forma como as ideias e as parcerias nascem. Se a inovação é a meta a que as empresas e a nossa economia querem chegar, consigo identificar três ingredientes presentes no cowork que têm permitido alcançar esse fruto: a comunidade, diversidade e flexibilidade.

Começo pela comunidade, provavelmente a característica mais importante. Durante muito tempo, quando se falava de cowork, falava-se sobretudo de networking. Rapidamente criamos uma imagem de um ambiente formal, com cartões de negócio ou com pitches sobre as empresas durante um coffee break. No entanto, acredito que uma comunidade é muito mais do que isso. É saber quem trabalha ao nosso lado (literalmente, na mesa ao lado ou na sala de reunião mais próxima), saber quem podemos contactar para nos ajudar num projeto e saber que teremos companhia a beber café depois de um dia de trabalho. Esta é a dimensão humana que muitas vezes não conseguimos colocar num Excel, mas que tem um enorme valor para quem trabalha todos os dias num espaço partilhado, com uma enorme diversidade.

O coworking deixou de ser apenas uma solução para quem não queria ou não podia ter um escritório próprio. Tornou-se uma resposta concreta à forma como trabalhamos, às necessidades das empresas e, sobretudo, às expectativas das pessoas.

A segunda grande conquista é, precisamente, a diversidade. Nos espaços de cowork, encontramos um pouco de tudo: desde o freelancer que lançou o seu negócio há 2 meses e está a montar a estrutura da sua loja online, à multinacional com 40 colaboradores que decidiu ter um espaço só seu, mas inserido numa comunidade que lhe dá muitos outros serviços e benefícios de bem-estar. Desta forma, criamos uma multiplicidade de experiências, competências e perspetivas que dificilmente existiriam num escritório convencional. Este conjunto de características é um motor fundamental para promover a circulação de ideias e o desenvolvimento do ecossistema de inovação. Mas a diversidade também nos coloca um desafio: com tantos perfis diferentes, é imperativo criar espaços onde as pessoas se sintam verdadeiramente incluídas.

Por esta razão, é fundamental apostar no terceiro ingrediente: flexibilidade. Principalmente a partir da pandemia deixou de fazer sentido pensar no escritório apenas como um lugar onde se está das nove às seis, de segunda a sexta-feira. A flexibilidade permite a uma empresa crescer sem ter de mudar de escritório a cada nova fase e aumentar ou reduzir espaço de acordo com as necessidades. No fundo, permite às entidades concentrarem-se naquilo que realmente importa: o seu negócio. 

O mercado está mais maduro e os clientes estão mais exigentes. O futuro do coworking será cada vez menos sobre mesas e cadeiras e cada vez mais sobre experiência, comunidade e bem-estar. Apesar de o setor em Portugal ter vindo a registar um crescimento notável, que ronda os 20% por ano desde 2018, de acordo com um relatório da Savills, persistem desafios. Um deles será manter a qualidade à medida que o setor cresce. Outro será encontrar o equilíbrio entre escala e proximidade. 

Portugal tem acompanhado a evolução do coworking e das novas formas de trabalhar, mas existe ainda uma margem significativa para criar mais ferramentas, espaços e comunidades que permitam às pessoas e às empresas crescer de forma sustentável.

Ao mesmo tempo, vejo uma oportunidade particularmente interessante na expansão do trabalho flexível para além dos grandes centros urbanos. Este é um modelo que se consegue desdobrar em formatos ainda mais flexíveis, como formatos pop-up, ajustados às dimensões e dinâmicas próprias de cada cidade. Além disso, a expansão a novas geografias fora das capitais permite atrair mais talento, fundamental à receita da inovação.

Neste Dia Internacional do Cowork, celebrado em agosto, um mês em que tradicionalmente abrandamos e ganhamos espaço para refletir, faço uma pausa para olhar para o caminho que temos percorrido e, sobretudo, para aquilo que ainda podemos fazer melhor. Portugal tem acompanhado a evolução do coworking e das novas formas de trabalhar, mas existe ainda uma margem significativa para criar mais ferramentas, espaços e comunidades que permitam às pessoas e às empresas crescer de forma sustentável. Se queremos continuar a alimentar a inovação, precisamos de lhe dar o espaço certo para acontecer. E esse espaço será, cada vez mais, feito de comunidade, diversidade e flexibilidade.