Durante muitos anos, o Porto foi reconhecido sobretudo pelo seu património, pela sua cultura, pela autenticidade das suas gentes e pela capacidade de preservar uma identidade muito própria.
Hoje, a cidade afirma-se também como um dos ecossistemas de inovação mais relevantes da Europa.
Esta transformação não aconteceu por acaso, nem resulta apenas da presença fortuita de empresas tecnológicas; é antes consequência de uma estratégia consistente, construída ao longo de vários anos, que colocou a colaboração, o talento e a internacionalização no centro do desenvolvimento económico da cidade.
Os resultados dessa estratégia são mais do que visíveis: ao longo da última década, a Área Metropolitana do Porto atraiu mais de 450 projetos de investimento direto estrangeiro, que totalizaram um montante de investimento na ordem dos 5 mil milhões de euros e que levaram à criação de mais de 30 mil postos de trabalho. Uma parte significativa destas conquistas deve-se ao trabalho desenvolvido pela InvestPorto, a agência de promoção de investimento da Câmara Municipal do Porto, que tem proativamente vindo a apresentar a cidade como um território competitivo para o investimento internacional. O contexto é desafiante: a competição internacional deixou de acontecer apenas entre empresas, com as cidades a competirem cada vez mais pela atração de investimento e pelo próprio talento. É face a este desafio que o Porto tem vindo a ser bem-sucedido.
No entanto, reduzir este sucesso a meros números seria passar ao lado daquilo que verdadeiramente distingue a cidade. O maior ativo do Porto continua a ser a sua capacidade de conexão: as empresas, as universidades e os centros de investigação – entre inúmeros outros stakeholders – têm vindo a construir um ecossistema assente na confiança, na proximidade e na colaboração. É precisamente neste ponto que iniciativas como a Porto Tech Hub Conference assumem especial relevância, constituindo um espaço agregador onde estes vários stakeholders locais partilham conhecimento e antecipam tendências, reforçando uma comunidade que, de facto, tem sido capaz de transformar o conhecimento em inovação e o talento em crescimento económico tangível.
O maior ativo do Porto continua a ser a sua capacidade de conexão: as empresas, as universidades e os centros de investigação – entre inúmeros outros stakeholders – têm vindo a construir um ecossistema assente na confiança, na proximidade e na colaboração.
O talento, aliás, continua a ser um dos pilares de toda esta evolução: a região conta atualmente com 133 instituições de ensino superior, com perto de 200 mil estudantes inscritos. Entre 2020 e 2024, mais de 65 mil diplomados em áreas STEM concluíram a sua formação nesta rede de ensino superior, assegurando um fluxo contínuo de profissionais qualificados para responder às necessidades de uma economia altamente dinâmica. No entanto, formar talento não basta, já que o verdadeiro desafio passa por criar condições para que este se possa estabelecer na cidade, encontrar oportunidades de crescimento e participar num ecossistema cada vez mais inovador e competitivo.
A própria qualidade de vida não pode ser desvalorizada, constituindo outro importante pilar no seio desta evolução. Resulta de um esforço consciente, levado a cabo pela Câmara Municipal, de conciliar a modernidade com o património histórico e a identidade cultural da cidade. Atualmente, o Porto dispõe de dois locais classificados como Património Mundial da UNESCO – o Centro Histórico e o Alto Douro Vinhateiro –, continuando a afirmar-se internacionalmente como um destino turístico altamente valorizado. Em 2025, por exemplo, a cidade foi distinguida pelos World Travel Awards como Europe’s Leading City Destination, depois de, em 2024, ter já recebido o prémio de World’s Leading Seaside Metropolitan Destination.
Tendo por base toda esta dinâmica económica, talvez o maior desafio do Porto seja, justamente, a capacidade de preservar aquilo que o tornou competitivo: continuar a crescer sem perder a proximidade, continuar a inovar sem abdicar da identidade e continuar a afirmar-se internacionalmente sem esquecer as pessoas que fazem da cidade aquilo em que ela se tornou.