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OpenAI e Anthropic afinam estratégia para levar IA às empresas

por Gabriel Lagoa | 13 de Maio, 2026

As duas empresas criaram estruturas dedicadas a instalar os seus modelos no interior das organizações.

Primeiro a Anthropic, depois a OpenAI. Duas das empresas que mais têm marcado o setor da inteligência artificial anunciaram, com uma diferença de dias, a criação de novas empresas focadas em entrar nas operações das empresas clientes e fazer funcionar a IA no dia a dia dessas organizações. Não como produto vendido numa prateleira, mas como engenheiros sentados ao lado das equipas internas.

A OpenAI chamou à sua nova estrutura OpenAI Deployment Company, ou DeployCo. O lançamento aconteceu esta segunda-feira e veio acompanhado por um investimento inicial superior a quatro mil milhões de dólares. Contas feitas, o braço de consultoria da empresa de Sam Altman vale 14 mil milhões de dólares, segundo a Axios

A empresa é maioritariamente controlada pela OpenAI e conta com 19 parceiros, entre grupos de investimento como a TPG, a Bain Capital e a Brookfield, mas também consultoras como a McKinsey, a Bain & Co. e a Capgemini. Para ter engenheiros disponíveis desde o primeiro dia, a OpenAI adquiriu a Tomoro, uma empresa de consultoria em IA fundada em 2023 que já trabalhava com clientes como a Tesco e a Virgin Atlantic. A operação traz cerca de 150 especialistas para a nova estrutura.

Do lado da Anthropic, a história é parecida

A Anthropic seguiu um caminho semelhante. Em conjunto com a Blackstone, a Hellman & Friedman e o Goldman Sachs, anunciou a criação de uma empresa de serviços de IA com um compromisso de 1,5 mil milhões de dólares, de acordo com a CNBC.  

A ideia é fazer com que engenheiros especializados se integrem nas operações de empresas de média dimensão para construir sistemas à medida com o modelo Claude. A Anthropic também lançou, na mesma altura, novas funcionalidades do Claude voltadas para escritórios de advogados, numa altura em que a concorrência neste setor se intensifica com startups como a Harvey e a Legora a levantarem centenas de milhões de dólares. 

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O que motiva estas jogadas? O problema já não é tanto ter acesso a um modelo de IA, mas saber o que fazer com esta tecnologia. “Há uma grande escassez de pessoas que saibam aplicar estas ferramentas nas empresas e depois transformá-las”, disse Marc Nachmann, responsável pela gestão de ativos do Goldman Sachs, em entrevista à CNBC. A Reuters também sublinha que tanto a OpenAI como a Anthropic estavam em conversações para adquirir empresas de serviços que ajudam negócios a instalar IA, antes dos anúncios formais.

O negócio por detrás da jogada

Os grupos de investimento que participam nestas estruturas têm em carteira milhares de empresas. No caso da Anthropic, o foco inicial será nas de média dimensão, em setores como a saúde, o imobiliário e os serviços financeiros. Essas empresas têm interesse em adotar IA, mas nem todas têm equipas técnicas para o fazer sozinhas. As novas entidades procuram resolver esse problema e, ao mesmo tempo, querem criar um canal de distribuição para os modelos das duas empresas que nenhuma parceria de software conseguiria replicar com a mesma profundidade. Não é por acaso que o Goldman Sachs está em ambas. Como escreve a Axios, é o único investidor presente nas duas estruturas. 

O movimento acontece numa altura em que tanto a Anthropic como a OpenAI se preparam para abrir o capital ao público, possivelmente ainda este ano, segundo a CNBC.

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